Mensagens de 20180717 (099 a 102)

099) MENSAGEM 099

De: Eduardo Chaves

Data: 20180717

Assunto: [Manuelinos] Revista Idealista – Ano V, Nº 42 e 43, 1939 [Longo!!!]

[Nota: Esta é, em dezenove dias, a centésima mensagem da lista, que começou com Mensagem 000. Este número da Revista Idealista, feita pelos alunos do JMC, gente que estava cursando o Curso Colegial Clássico, hoje Ensino Médio, mostra para qualquer leitor a qualidade da educação que o JMC nos deu, e a qualidade do material humano que foi preparado lá.]

Idealista

Ano V, Nº 42 e 43, 1939

Baruerí – E.F.S. – Estado. de S. Paulo –  Brasil

Rev. Dr. William Alfred Waddell

A última mensagem que o Dr. Waddell enviou aos moços do ”Conceição”:

Diga aos moços que trabalhem, e a obra há de triunfar

[EDITORIAL]

Idealista

A Idealista inicia com êste número, mais uma etapa da sua vida. Mais do que isto, estamos empenhados em uma nova fase de progresso e melhoramentos. A larga experiência, dos anos anteriores, nos tem demonstrado que são necessários certas modificações e aperfeiçoamentos em todos os pontos de vista.

Estamos iniciando um novo ano escolar, e as mais risonhas esperanças nos inspiram e nos profetizam que haveremos de vencer.

Mas para esta tarefa necessitamos acima de tudo do socorro Divino, dos esforços dos colegas e cooperação de todos os nossos amigos.

As nossas atividades se focalizam em três alvos difinidos:

1.º   Seleção de material publicado;

2.º   Superioridade da mão de obra;

3.º   Maior contrôle na distribuição.

Na primeira parte, a responsabilidade está em grande parte na direção da revista.

Solucionaremos a segunda questão levantando recursos para imprimir à Revista nas afamadas Emprezas Gráficas Cruzeiro do Sul.

E o terceiro alvo visado só será alcançado com o apoio integral dos assinantes e agentes da capital e interior.

Deus há de abençoar os nossos ideais e haveremos de fazer alguma coisa em pról do Reino de Cristo.

Continuarei por bondade dos colegas, e ainda que imperfeitamente, a ocupar os cargos de Diretor e Gerente da Idealista.

A Redatoria estará a cargo dos colegas cultos e inteligentes, Adauto Araujo Dourado e José Coelho Ferraz.

Não é necessário que teçamos comentários em torno desses dois nomes, pois já se impuzeram por si, e são conhecidos dos nossos leitores.

Teremos a certeza que serão bem sucedidos na responsabilidade que está sobre os seus ombros.

Como noticiámos no último número do ano de 1938, escolhemos outros colegas como auxiliares da redação para não só conhecerem mais de perto o mecanismo da nossa Revista, mas também para melhor divisão de trabalho e portanto para melhores resultados.

Ocupará o cargo de Chefe dos Agentes das Igrejas de S. Paulo o Snr. Antônio Elias, digno presidente do grêmio Evangélico Miguel Torres.

Como Correspondentes do Conceição, a Sra. Rute Moser, esforçada presidente da Cooperativa das Moças.

Como Expeditor e Arquivista, o colega Caetano Leite.

Como Secretário Correspondente, o Snr. Epaphras Silveira.

Esperamos que os nossos auxiliares muito farão êste ano para o bom andamento da Idealista.

(Josué França)

[INFORMAÇÕES]

Aviso

Snrs. Agentes

Pedimos aos Snrs. Agentes do interior a fineza de arrecadarem o mais breve possível as assinaturas não recebidas do ano de 1938, e nos enviarem imediatamente. Pedimos também que renovem as assinaturas velhas e se esforçem para angariar novos assinantes, enviando-nos ainda êste mês os talões preenchidos que vão dentro das revistas dos que já pagaram êste ano e uma lista separada com nomes e endereços dos assinantes que não puderam faze-lo presentemente. O nosso orçamento êste ano está em 5:000$000 (cinco contos de reis) e necessitamos do apoio geral.

Idealista – Revista Mensal Lítero–Religiosa

Assinatura anual .  . 5$000

Número avulso   . .   $500

Orgão dos Estudantes do Curso Universitário José Manuel da Conceição

Diretor e Gerente: Josué França

Redatores: Adauto Araujo Dourado e José Coelho  Ferraz

Auxiliares da Redação:  Antônio Elias, Caetano Leite, Epafras Silveira e Rute Moser

Ano V, Nº 42 e 43, 1939 – Baruerí – E.F.S. – Estado. de S. Paulo – Brasil

[ARTIGO]

O Rev. Dr. William Alfred Waddell

Apagou-se, no firmamento da vida, uma estrela de primeira grandeza, o Rev. William Alfred Waddell. Em 23 de fevereiro do corrente ano, com setenta e sete anos e dezoito dias, transferiu a residência para o céu, onde foi morar com Jesus. Velho trabalhador, dedicou-se com ânimo e amor à causa do Mestre e assim conseguiu um trabalho sólido e grande. Como o apóstolo Paulo, podia dizer:  – “Pelejei o bom combate, terminei a carreira, guardei a fé. No mais, está-me reservada a corôa de justiça, que me dará naquele dia o Senhor, justo juiz; é não sòmente a mim, mas a todos os que anseiam por seu advento”. (2.º Tim. 44; 7-8).

Contam-nos os cientistas, que vemos o centelhar de estrelas, que já não existem. Á semelhança dessas estrelas, a obra do dr. Waddell não terminou com a sua morte.

O cristão piedoso, o missionário abnegado, o trabalhador dinâmico, o educador heróico, o mestre sábio, o pastor zeloso e o amigo sincero são fanais que nos projetam na alma a luz bendita, que ilumina a vereda da verdade e da justiça. Êstes rastros luminosos jamais se apagarão da mente e do sentimento, para que nos orientem na carreira da fé.

A sua vida é um colar precioso de vitórias. Encontrou obstáculos e dificuldades; mas soube transformá-los em triunfos.

Bethel, no Estado de Nova York, Estados Unidos da América do Norte, foi o seu berço natal. Lá passou a infância e aprendeu as primeiras letras.

Lembrou-se do Creador nos dias da mocidade e desta maneira, aos 19 anos, em outubro de 1881, fez a pública profissão de fé em Cristo, na Igreja Presbiteriana de Schenectady, Nova York, com o rev. Timothy G. Darling.

Moço de inteligência e ideal, entrou no “Union College” , onde iniciou brilhante carreira. Bacharelou-se em Artes e Ciências, formou-se em Engenharia Civil e foi membro da Fraternidade de Cultura “Phi Beta Kappa”.

O jovem de “engenho e arte” sentiu-se chamado por Deus, para ser um pescador de almas. Compreendeu a dor do homem submerso no pecado; é constrangido pelo amor de Cristo a levar-lhe a palavra de salvação, de tal forma, que desprezando os laureis que a inteligência viva e o preparo sólido lhe garantiam, o moço culto e estudioso ingressa na Faculdade de Teologia em Princeton, onde se distingue, fazendo em dois anos, o curso teológico de três. O Presbitério de Albany o licenciou, em abril de 1886 e em 10 de abril de 1887, foi ordenado pelo Presbitério de Los Angeles em São Diego. O seu primeiro pastorado foi na Igreja de São Pedro, na Califórnia.

O apêlo das Missões repercute-lhe profundamente na alma e sente o desejo de atravessar a vastidão do Atlântico. Singra o oceano em demanda ao Brasil, deixando a pátria querida, em 1890. Dias após, a nossa terra estremecida recebe um ilustre benfeitor.

São Paulo foi seu primeiro campo de ação. Duradouro e profícuo foi o trabalho realizado, fundando o Ginásio Mackenzie e o Mackenzie College. Construiu numerosos edifícios. Deus utilizava-se, assim, do engenheiro cristão.

Reconhecido o seu mérito na pátria natal, em 1892, recebeu do “Union College” o gráu de Doutor em Filosofia (Ph. D.) e em 1910, o gráu de Doutor em Divindade (D.D.) “Honoris causa”. Eis o homem que laborava na pátria brasileira!…

Dominava-lhe a alma o desejo ardente de ser um evangelista. Foi para o Estado da Baía. Residiu em Salvador, em Cachoeira e São Felix. Como pastor da Igreja Presbiteriana da Capital, foi amplamente abençoado; construiu o templo e deixou a Igreja capacitada para chamar um pastor nacional.

Deixa então, a capital da Baía e embrenha-se pelo mais recôndito sertão. E’ o abnegado missionário surge; é o Livingstone brasileiro, que leva aos corações pecaminosos a luz bendita da salvação. Quem ainda hoje viaja pelos sertões bravios da Baía, vê os rastros luminosos do dr. Waddell. Contam-se às dezenas as almas que se converteram pela sua instrumentalidade. Colaborou, pois, com Deus no plano eterno da salvação do homem.

Contemplando o domínio apavorante da ignorância, o dr, Waddell creou em 1905, um estabelecimento de ensino em Ponta Nova, para projetar a luz benfazeja da instrução. O educandário de Ponte Nova tem sido uma benção ao sertão baiano. Atualmente, é uma escola normal oficializada, que está talhada a um grande progresso. Como vês, leitor amigo, é imortal a obra do homem de fé, no sertão da Baía.

Após êsse glorioso trabalho, voltou ao “paiz do sul”, a terra progressista dos bandeirantes; isto em 1914. Foi eleito presidente do Mackenzie College, onde permaneceu por mais de uma década. Presidente emérito foi eleito ainda em 1.º de junho de 1927.

Sob a sua gestão sábia e segura foi admirável o desenvolvimento do Mackenzie; grande parte dos edifícios foi construída por êle.

Trabalhador incansável, heróico e idealista, em 1928, funda o Curso Universitário “José Manoel da Conceição”. Casa amiga que tem abrigado numerosos candidatos ao santo ministério, dando-lhes um preparo eficiente para vencer nas lutas da carreira espinhosa.

Leitor sensato, pára um pouco e medita sôbre a grandeza material, intelectual e espiritual da obra realizada pelo dr. William Alfred Waddell. E estou certo, que hás de elevar uma prece de gratidão a Deus por êste servo inteligente e forte, culto e abnegado, realizador e amigo leal, que foi uma bênção para o povo brasileiro.

A vida dêsse venerando servo de Deus pode ser focalizada por várias facetas e em todas elas, ver-se-á bela e encantadora a virtude.

Já o velho e cansado, sonhava em evangelizar o Estado do Amazonas. Na última reunião das Missões pediu que os missionários não se esquecessem da Amazônia, “Inferno Verde”., no dizer de Alberto Rangel.

O Dr. Waddell é um modêlo para o moço cristão e idealista da nossa época. Qualifico-o como o homem, no amplo sentido que é empregado por Wagner, o moralista exímio. Felizes são aqueles que na mente e no coração guardam-lhe os feitos e procuram seguir-lhe as pegadas.

Para um trabalhador intemerato, uma companheira leal e heróica; e assim Deus deu-lhe a bondosa esposa D. Laura que abnegadamente o acompanhou, confortando-o nos momentos de abatimento e completando-lhe a felicidade nas horas de alegria. Deixamos aqui nossa simpatia e admiração a esta serva de Jesus, que tão nobremente vem cumprindo a sua missão.

Aos filhos entristecidos pelo acontecimento pesaroso, as nossas palavras de conforto e para estímulo lhes apontamos o exemplo glorioso do venerando pai.

O dr. Waddell é um mestre e amigo que nos deixou para viver com Jesus. Entristecidos lhe contemplamos a vida vitoriosa através do prisma das lágrimas, concretização da nossa saudade.

26 de Fevereiro de 1939

(Adauto Araújo Dourado)

[DISCURSO]

A Mensagem do Rev. Waddel

Discurso pronunciado pelo sr. Antonio Elias, representando o corpo dicente do Instituto José Manoel da Conceição, no cemitério, por ocasião do enterro do Rev. William Alfred Waddell [provavelmente em 24 de Fevereiro de 1939, dia seguinte ao da sua morte – EC]

Senhores:

“Diga aos moços que trabalhem!”

Diga aos moços que trabalhem, foi a mensagem grandiosa que nós, os estudantes do Conceição, recebemos do Dr. Waddell, nos últimos dias de vida de sua preciosa existência.

Essa mensagem repercutiu profundamente em nossos corações, porque acima de tudo, vale a pena seguir-lhe o exemplo nobre e honroso, – exemplo de quem sempre trabalhou com a grandeza moral, intelectual e sobre tudo espiritual de milhares de nossos patrícios.

A evangelização na Baía é um atestado vigoroso do quanto fez êsse venerando servo de Deus. Há 40 anos passados, lá estava o dr. Waddell, lutando contra as dificuldades e meios de comunicação. Viajando a cavalo mêses a fio, desprovido de todo o confôrto material, atravessava regiões inhóspitas, áridas e perigosas.

Seu ideal era socorrer os necessitados do pão para a alma e muitas vezes, para o corpo. São inúmeras as conversões dêsse trabalho fecundo, tanto no estado da Baía, com em São Paulo; almas que se decidiam por Cristo, movidas, ora pela sua palavra autorizada, persuasiva e piedosa; ora pelo seu exemplo luminoso de abnegação, amor e fé!

A obra missionária no Brasil perde, portanto, com a partida do Dr. Waddell, um grande obreiro. O dr. Waddell não foi tão sómente um valoroso missionário. O colégio de Ponte Nova, Baía, fundado por êle, onde funciona a segunda escola normal daquele Estado – segunda pelo grau de disciplina e cultura; o Mackenzie College, um dos mimos de S. Paulo, do qual êle foi seu presidente por alguns anos; e, finalmente, o “Conceição”, um dos seus sonhos realizados nesta última década, são um atestado vivo de que êle foi também um grande educador.

Educador e mestre excelente!

Muitos ministros, professores e doutores receberam do ilustre pedagogo, á semelhança de S. Paulo aos pés do sábio Gamaliel, lições preciosas, que, os impulsionaram á conquista elevada da posição em que se encontram hoje.

Mestre excelente perde o magistério brasileiro!

Mestre e amigo sincero, leal e desprendido. Amigo que sabia aconselhar, confortar e apontar o caminho da verdade e da vitória. Sempre solícito, sempre pronto a servir, ia ao sacrifício, se fosse preciso, para resolver problemas e dificuldades alheias. Afirmo isto, interpretando particularmente o pensamento unânime dos meus colegas do Conceição.

E agora que perdemos o grande missionário, grande educador, grande mestre e amigo, que havemos de fazer? Apenas garantir que lhe seguiremos os passos com as nossas lágrimas – expressão sincera da saudade.

Partistes, pois, Dr. Waddell, para a mansão celestial! Fostes receber no céu a corôa de glória incorruptível.

Haveremos de vos honrar a memória, pondo em prática o vosso derradeiro pedido: “Moços, trabalhai!”

Sim, a obra portentosa que iniciastes há de continuar, porque ela é de Cristo.

Dr. Waddell – nosso grande mestre e grande amigo – Adeus!

(24 de Fevereiro de 1939)

(Antonio Elias)

[ARTIGO]

Ânimo

Limitados nas nossas possibilidades, angustiam-nos, muitas vezes, os obstáculos encontrados no caminho da vida. Nessa “carreira que nos está proposta”, fitamos os olhos em Jesús, autor e consumador da f’é, e tentamos descobrir os lugares umbrosos, em que êle proporciona refrigério e entusiasmo.

Lembramo-nos da consciência despertada, do pêso dos pecados cometidos contra Deus. Ainda nos impressionam a vista as páginas do Evangelho, que nos mostraram o Salvador a dizer ao paralítico de Cafarnaum: “Tem ânimo, filho, perdoado são os teus pecados”. Essa mensagem encontrou abrigo na nossa alma, A alegria imensa do perdão invadiu-nos o peito e um dia , qual pecadora que viu a Jesús, em casa de Simão, o fariseu, ouvimos as palavras divinas: “A tua fé te salvou; vai-te em paz”.

Em outras circunstâncias, porém, as dificuldades do mundo físico – a terra mesquinha, o clima hostil, a revolta dos elementos, – podem agitar o barco frágil, em que viajamos. Mais eis que a figura de Jesús vence, serena, a agitação das ondas, alentando-nos: “Tende ânimo, sou eu; não temais”.

O corpo humano não tem a dureza da rocha. Ataca-o o micróbio, a doença o consome. São as horas de sofrimento e de dor. Procuremos a Cristo; tocando-lhe a fímbria da capa, ouçamos as palavras ditas, um dia, a uma pobre enferma da Palestina: “Tem ânimo, filha, a tua fé te salvou”. Não é êle a vida do corpo e o consôlo do espírito?

Cidadãos do Reino de Deus, temos de viver separados das injustiças do mundo. A prepotência dos potentados, a maldade, a impureza, o egoísmo, o ódio, tudo nos faz sofrer. Nosso Senhor teve as mesmas experiências e foi sob a condição de amargura intensa que lhe rodeou os últimos dias de vida, na terra, que nos legou o  sublime confôrto: “No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu tenho vencido o mundo”.

Fortalecidos assim no doador de todo o poder, temos de penetrar, um dia, numa outra fase da existência. Avizinhar-se-á, então, o momento solene da morte. E’ a hora em que os temores hão de nos rodear. No entanto, o Cristo de nossa vida há de se apresentar vivo e majestoso e dizer: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso”. Sim, vê-lo-emos, como Estêvão, á dextra de Deus na imensidão dos céus abertos.

(Prof. José Salum Vilela)

[RELATÓRIO]

Atividades em 1938 da Caravana Evangélica Universitária – C.E.U.

Caravanistas: Emílio Carvalho, Rui Anacleto, Francisco Guedelha, Aretino Matos, Alvaro Simões e José Coelho Ferraz

Prezados irmãos em Jesús, sócios e ofertantes da C.E.U.

Como nos anos anteriores, a caravana saiu a campo durante as férias de 1938.

Mas com que dificuldades teve ela de lutar, no decorrer do ano, para atingir o seu fim!

Não fôra a bondade e a misericórdia divinas, ela teria fracassado. Deus, porém, ouviu as nossas e as vossas orações.

Bem profetizou Isaias, o grande vate messiânico, quando disse, “Pois saireis em alegria e em paz sereis conduzidos, os montes e os outeiros romperão em cânticos diante de vós, e de todas as árvores do campo baterão palmas”. Esta foi nossa experiência. Vimos cumprida esta profecia, quando no interior longínquo do nosso Brasil, transmitíamos a mensagem da cruz aos nossos patrícios. Verdadeiramente sentimos alegria e paz no nosso coração. Neste trabalho percebemos o significado  profundo das palavras de Cristo:  “A seára na verdade é grande, mas os trabalhadores são poucos”.

Almas sedentas da verdade clamam, como o poeta sacro: “Conta-me a velha história de Cristo e seu amôr”.

A nossa incumbência foi justamente esta – contar a velha história de Cristo, da qual nos desobrigamos á medida das nossas forças.

As nossa ofertas e orações muito contribuíram para o êxito do nosso trabalho. Não vos podemos retribuir, mas estamos certos de que Deus vos pagará.

Damos abaixo o relato do que fizemos em dois setores: Paraná e Goiaz.

SETOR DO PARANÁ

Campo do Rev. Martinho Rickli.

Compuseram o grupo os jovens: José Coelho Ferraz e Aretino Pereira Matos.

Cidades e lugares visitados: Castro, Piraí, Tibagí, Reserva, Cachoeira, Barro Preto, S. Pedro, Bairro do Marins, Brotas e Colônia Dantas.

Reuniões
Cultos formais

50

Cultos devocionais

40

Culto na cadeia

1

Dissertações ao Esforço Cristão

6

Dissertação á Sociedade de Jovens

1

Festas de Natal dirigidas

2

Classes Dominicaís

13

Reuniões especiaís de oração

3

Reuniões sociais

4

Total de reuniões

120

Famílias visitadas

92

Folhetos e Novos Testamentos distribuídos

2.400

Bíblias vendidas

24

Quilómetros percorridos

2.873

De trem

2.020

De automóvel

596

De caminhão

124

A cavalo

63

De trole

20

A pé

32

De carroça

18

SETOR DE GOYAZ

Campos dos Revs. Franklin Graham, Nicola Aversari e outros.

Componentes do grupo: Francisco Guedelha, Emílio Carvalho e Rui Anacleto.

Cidades visitadas: Ipamerí, Cristalina, Planaltina, Formosa, Santa Luzia, Vianópolis, Anapólis e Goiânia.

Reuniões
Cultos formaís

50

Cultos devocionais

113

Pregações ao ar livre

18

Cultos em cadeia

1

Cultos em hospital

5

Cultos especiaís de oração

10

Palestras à mocidade

3

Cultoso com projeção luminosa

2

Escolas Dominicais dirigidas

9

Reuniões sociais

3

Total de reuniões

214

Visitas a crentes e interessados

114

Visitar ao interventor e a ginásio

2

Folhetos distribuídos

3.200

Bíblias e Novos Testamentos distribuídos

32

Quilómetros percorridos

3.149

De trem

2.377

De automóvel

138

De caminhão

618

A pé

16

Jandira, 24 de fevereiro de 1939.

(Rui Anacleto, Secretário da C.E.U.)

Impressão de Goyás

Uma das coisas que alegram o coração de um homem é por certo a transformação de seus sonhos em realidade.

E’ experimentando uma alegrias destas, e interpretando, não só o meu sentimento como o de meus dois companheiros de caravana, que aproveito para deixar nesta colúna, uma rápida impressão do lugar que visitamos durante as férias.

Essa não era a impressão que tínhamos antes de irmos para lá. Esperávamos encontrar um sertão no sentido mais lato da palavra, ou uma terra inhóspita onde o evangelho não tinha aceitação.

Qual não foi á nossa surpreza ao encontrarmos um ambiente contrário ao que esperávamos.

Cidades grandes e prósperas, povo hospitaleiro e bom, respeito da parte de todos pela palavra de Deus, o que demonstra um gráo elevado de civilidade.

Encontramos também crentes fervorosos que vivem o evangelho.

Graças á consagração de pregadores que alí têm trabalhado, a semente do evangelho está espalhada por todos os lugares.

O cristianismo social também é praticado, tendo como exemplos o “Colégio Evangélico de Planaltina” e o “Hospital Evangélico de Anápolis”.

Tudo demostra uma compreensão nítida do que sejam os ensinos de Jesus. Agradecemos, pois, aos Revs. Franklin Grahan e Nicola Aversari pelos convites que nos dirigiram.

Agradecemos ainda a todas as pessôas com quem travamos relações de amizade, e que tão bem nos trataram.

Que Deus as guarde até nos encontrarmos outra vez.

(Francisco Guedelha)

Flancos do Paraná

No dia 14 de novembro de 1938, partiu de São Paulo a Caravana Evangélica Universitária, rumo a Castro, Paraná.

Esta unidade da caravana, compunha-se sómente de dois membros: José Coelho Ferraz e Aretino Pereira Matos. O campo que percorremos é do Rev. Martonho Rickli. Sabemos que o Rev. Martinho aprecia e gosta mesmo de fazer trabalho de caravana, isto é, percorrer os diversos lugares possíveis, distribuindo folhetos, visitando e pregando o evangelho de Cristo. Não pudemos, entretanto, juntamente com esse laborioso e abnegado servo de Deus, fazer intensivo trabalho, visto êle estar passando por um doloroso transe, pois nesse tempo havia perdido a sua querida esposa. Assim mesmo visitámos com êle 3 lugares: Tibagí, onde não há trabalho evangélico; aí fizemos um culto com pregação, o qual foi bem concorrido e tivemos ocasião de distribuir folhetos evangélicos; Reserva e Colonia Dantas, lugares onde além do trabalho de evangelização foram realizados actos pastoraes.

O nosso trabalho mais intenso foi em dois lugares: Castro e Piraí. Ficando um caravanista em cada lugar, fazendo trabalhos individuaes.

Durante esse tempo fazíamos culto de propaganda todas as noites em casas particulares, sendo que, em Castro, nos últimos dias fomos obrigados a separar–nos afim de dois cultos na mesma noite, porque pelo contrário, não venceríamos os convites. Estes cultos eram todos bem concorridos, e atraiam muitas pessoas extranhas.

O rev. Martinho, além, de pastor desse campo é diretor do Instituto Cristão. E, por “ipso facto” não vence tanto trabalho e o povo tem desêjo de visitas mais a miude, não só do pastor como de leigos.

A impressão que trouxemos do campo foi: O interior do Paraná é uma seára muito extensa, onde o povo espera ansioso a mensagem do evangelho, porém os trabalhadores são poucos. Faz-no lembrar as palavras de Cristo: “Daí-lhes vós de comer”.

Devemos orar constantemente ao Senhor da seára para que envie mais obreiros, que cheios do Espírito Santo, levem o Evangelho de Jesus, não só ao interior do Paraná, mas a todas as partes do nosso querido Brasil.

Não posso encerrar essas notas, sem recordar a hospitalidade bondosa e franca que encontrámos em todos os lugares, fruto dessa alma grande e generosa do povo da “terra dos pinheiros”. Deixamos nesta coluna a nossa palavra de gratidão e reconhecimento.

(Aretino P. Matos)

Tornai-vos sócios da C.E.U.: Um Convite

Vamos, foi o convite que Jesús dirigiu aos discípulos quando foi avisado que Lázaro, aquele a quem tanto amava, havia morrido.

Os judeus quizeram apedrejar o mensageiro divino, mas assim mesmo êle insistia com o seus seguidores: “vamos novamente para Judéia”.

Era necessário que Jesús voltasse, pois lá, corações aflitos ansiavam as palavras de consolo; inteligências curiosas precisavam ainda do seu testemunho para se certificarem de que, verdadeiramente, êle era o filho de Deus; e Lázaro, o seu grande amigo, estava na tumba fria atraindo toda sua atenção.

A princípio os discípulos vacilaram em aceitar o convite, mas depois, resolutos acompanharam o Mestre animados talvês pelas palavras de um deles que disse: “Vamos nós também para morrermos com êle”.

Amigo leitor, a Caravana Evangélica Universitária todos os anos recebe alguns convites.

O Brasil é imenso e a seára do Mestre abrange todo o seu território. Os pastores não vencem os seus campos e clamam á C.E.U.: “Passa a Macedônia e ajuda-nos”.

A vontade dos caravanistas é de aceitar o maior número possível de convites, pois reconhecem a necessidade de ceifeiros.

A Caravana quer, não mais aceitar o convite de Jesús, “vamos novamente para a Judéia”. mas obedecer a sua ordem: “Ide por todo o mundo…”

Meu irmão, pense um pouco comigo. Não é verdade que a C.E.U. precisa do seu auxílio para que a sua missão seja desempenhada?

Almas aflitas esperam a mensagem do Evangelho. Corações sedentos clamam pela água da vida. Consciências escravizadas pelo vício aguardam a chegada de um libertador.

O alvo da C.E.U. é socorrer a essas pessoas, mas reconhecendo que por si nada poderá fazer, ela lhe dirige, ó leitor cristão, um convite: Vamos nós Trabalhar.

O’! Dobremos os nossos joelhos suplicando as bênção de Deus para a Caravana Evangélica Universitária, e se assim fizermos, estaremos contribuindo para que o reino de Deus alegre a todos os corações.

(José Coelho Ferraz)

[ARTIGO]

Exegese Bíblica

Os pensamentos exarados nesta série de artiquetes são o resumo de algumas exposições feitas no fim do ano passado nos cultos que dirijo no J.M.C. E’ assunto que ocupa frequentemente a atenção de crentes evangélicos, sobretudo por causa da insistente propaganda feita pelos adventistas. Não há mal, portanto, em que repise matéria tratada já em numerosos trabalhos polêmicos, apresentando, o que me parece mais sólido e inabalavel, a respeito da atitude da Igreja para com o dia de descanso judaico.

Porque não guardamos o sábado? Não o guardavam os judeus? Não é a êle que se refere o V.T. em passos numerosos? E’ certamente o sábado, o sétimo dia, que os israelitas observavam, embora alguns exegetas com pendor para a fantasia tenham procurado provar o contrário. E então? Não é incoerente o protestantismo que, com ser tão apegado ao ensino e ás formas de culto prescritas nas Escrituras, não guarda o sétimo  dia da semana, indiferente a um preceito da Lei, tantas vezes reiterado.

E’ verdade, o protestantismo é bíblico, mas dentro da Bíblia, é a religião do Novo Testamento, não a do Velho, que pratica. E é por êle que se tem de documentar a moral e a religião de quem quiser abraçar um sistema evangélico de vida e procedimento.

Será, pois, no N.T. que sobretudo discutiremos o ponto tratado, abrindo exceção para um ou outro texto das Escrituras da antiga aliança. Estudemos primeiro alguns textos-alicerces dos judaizantes.

I) 5-17 e 18 “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim revogar, mas cumprir,… de modo nenhum passará da Lei um só i ou só til, sem que tudo se cumpra ”Citam-se estas palavras para provar de que a Lei continua em vigor e é obrigatória para os cristãos. Até comentadores de outras correntes evangélicas incidem frequentemente no erro de aduzir o passo em defesa de afirmação semelhante, embora visando a outro alvo. A esta interpretação podem formular-se algumas objeções que, até onde consigo perceber, são irretorquíveis: a) Se fosse êste o sentido das palavras de Cristo, teríamos contradição clara com outras afirmações peremptórias do próprio Mestre e de Paulo, o apóstolo das gentes.

Deixando para a segunda parte do estudo a discussão completa do problema, poderá, contudo, o leitor consultar Lucas 16-16. Galat. 5-3 e 4, onde se rejeita qualquer idéia de que a Lei continue no Cristianismo. b) Suponhamos que esteja certa a interpretação dos legalistas: manda-se aqui guardar a Lei e com ela o sábado.

Consequências: não só o sábado se há de guardar, mas, conservando a fôrça., toda da frase, nem “um só i ou um só til” se deve omitir: sacerdócio e ritual, sacrifícios e altares, leis de escravatura e de divórcio, distinção entre animais puros e impuros, circuncisão e tudo o mais que lá estiver tem de reaparecer na Igreja Cristã, porque o texto é rigorosamente expressivo “nem um só i ou um só til” passará sem cumprimento. C) O verbo cumprir não diz respeito á guarda da Lei, mas antes á sua realização profética em Cristo. No vers. 17 o original tem pleróo que se emprega geralmente para falar do cumprimento profético das predições registradas nas Escrituras do V.T.

Tal se verifica em Mat. I-22 “para que se cumprisse o que dissera o Senhor”, Lucas 4-21: “Hoje se cumpriu esta Escritura nos vossos ouvidos”. Cf. ainda em Mat. 2-15, Lucas 24-44. Em Mateus escrito para demonstrar que em Cristo se cumpriram as profécias messiânicas, o têrmo é frequente nesta acepção.

No vers.18 reaparece, em nossas versões, a mesma palavra: “sem que tudo se cumpra”. Aqui. porém, o grego varia dizendo génetai, o que esclarece bem o pensamento bíblico, pois o verbo significa “vir a ser, ou a existir, realizar-se, acontecer.

A Vulgata Latina conserva bem o sentido primitivo, traduzindo “donec omnia fiant’.

O mesmo termo temos em Lutero que verte: “bis dass es alles geschehe” (até que tudo aconteça) . Assim a doutrina evidente do passo controvertido é esta: A Lei e os Profétas não serão inutilizados por Cristo, mas terão nêle o seu cumprimento profético, porque êle é a realização daquilo de que as leis e as cerimonias antigas eram a sombra e o tipo.

Nota. Alguns comentaristas dão ao verbo pleróo, aqui o sentido de “aperfeiçoar” e a lição central seria: “não vim revogar a Lei e os Profétas mas sim aperfeiçoá-las, torná-las completas”.

Embora seja mais rara esta acepção, ela se coaduna bem com o contexto todo, em que Jesus discorre sôbre as leis antigas, profundando-as, espiritualizando-as e emendando-as. Mas ainda assim não caberia a exegesesabatista, pois o aperfeiçoamento da Lei em Cristo não importaria a conservação dela em todos os seus pormenores na nova dispensação, como adiante veremos.

(Rev. Henrique Maurer Jr.)

[RELATÓRIO]

Relatório do movimento financeiro da Caravana Evangélica Universitária, no exercício de 1938:

RECEITA
Saldo recebido do exercício anterior

250$000

Compromissos e ofertas recebidas enquanto na séde

1:001$000

Ofertas recebidas nos campos:
Flanco do Estado de Goiaz

848$000

Idem Estado do Paraná

516$000

Total

2:615$000

DESPESA
Enquanto na séde

181$900

Com viagens:
Flanco do Estado de Goiaz

1:260$100

Idem Estado do Paraná

644$000

Com relatório

200$000

Em caixa

330$000

Total

2:615$000

(Aretino Pereira de Matos, Tesoureiro)

[DIVERSOS]

Sem Deus

O movimento atéista dos chamados “Sem Deus”, da Russia, prepara um lance mais forte para breve. A associação para criar e cultivar o atéismo, sob proteção do Estado comunista, orçou em 65 milhões de rublos a sua despesa em 1938. Dêstes serão aplicados 51 milhões na propaganda interna e 14 milhões na propaganda em outros países. Seis aeroplanos foram adquiridos para distribuição rápida de literatura. A oposição á religião tem sido implacável na Russia. O evangelismo já deu diversos mártires. 1.900 igrejas foram fechadas por falta de pagamento do pesado imposto que recái sôbre elas.

O materialismo histórico é ateísta e os comunistas vêm na religião o seu maior inimigo. O integralismo, por muito tempo, fazia passar por comunistas todos os seus adversários. Hoje, felizmente, com o apôio do governo, podemos combater livremente os dois extremismos que são, quasi sempre, os inimigos da igreja: ou escravizando-a ou combatendo-a.

(Extraído)

Oratória

Se as inclinações da meninice perdurassem na edade adulta eu deveria ter-me tornado orador de nota, taes os pendores que manifestei naquela época pela declamação estulta.

Diariamente, ahi pelos quinze anos, quando mal conhecia de cór, ensinada pelo João Ribeiro, a definição e a divisão da gramática: “Gramática é um conjucto de regras segundo as quaes se fala e se escreve correctamente uma língua; divide-se em quatro partes – fonologia, taxinomia, morfologia e sintaxe”, eu pendurava-me em cima de um forno de tijolos que havia no quintal de minha casa e atroava os ares com meus longos discursos, de uma palavreado bombástico, cheio de alusões aos visinhos, enfáticos e quasi sempre mal-creados, que invariavelmente terminavam pela oportuna intromissão de meus paes, reclamadas pelas objurgatórias que continham.

Confesso, não obstante, que de inicio, ao assomar aquela “tribuna”, construída para assar pães, cabritos, perús e congeneres petisqueiras, e não para os meus incipientes e torvos vôos de oratória, eu me aprumava com a melhor das intenções, egual a de todos os oradores, nos comicios ou no jury, para os quase as idéas afluem solicitas e perfeitas quando não há quem importune com apartes intempestivos ou risotas e gestos irreverentes.

Principiava em regra as minhas arengas com frazes a Acacio, cheias de brilho e ressonancias e como muitas que, ao depois, no correr da vida, tive ocasião de ouvir:

“Falarei a um pulpito inteligente que me ouve por toda a parte, e falarei com entuziasmo que a minha vóz proclama”. “Homens e mulheres que me ouvís, prestas atenção ao que vae falar o vosso orador”. Mas, ao entrar em seguida na exposição prometida áqueles homens e mulheres que só existiam na minha imaginação, porque, lá no terreiro, de “viva alma” só havia meia dúzia de galinhas, o galo ciumento e dois ou três frangos estagiários, que perambulavam indiferentes á minha palavra, logo surgiam por cima do muro que divisava a nossa residencia, préstes como a bruxa das minas de Salomão, os olhares acirrados e a carantonha queziliada de duas ou três das quatro moças casadeiras que havia na casa visinha, que detestavam letras em vóz alta, nunca se conformaram com as minhas orações e pertenciam decerto á classe dos individuos inteligentes que acham que o “silencio é ouro” e que em “bôca fechada não entram moscas”.

O aparecimento daquelas jovens, que eu não podia considerar umas beldades, mesmo naquela edade e com a minha fantazia, premiando-as assim com um ramalhete de expressões romanticas, pois, éram feias a não acabar mais, todas ellas côr de cuia, cabêlos pretos e lisos, enfartados e duros, de índio, mal dentadas e commumente em “toiletes” pouco atraentes, de chita desbotada e suja, transtornavá-me logo o fio da alocução e lá deixava eu a minha catilinaria ecletica e impetuosa, dirigida aos galinaceos, para dedicar-lhes exclusivamente, daí por deante, a inspiração que sobrevinha a meude engrossava de sérias invectivas.

Uma dessas moças, que éram irmãs e se entregavam ao mistér modestissimo de lavar roupas, e de passar, para algumas famílias da cidade, chamava-se Maria e éra aquela que mais embirrava com as minhas orações. Lembro-me que em uma daquelas conjucturas, voltei-me para o feminino grupo que se apoiava sobre o muro e pespeguei-lhe á face um elogio deste teôr: –

– “Maria, minha Maria, vae vêr a tua tia, não te rias, tu és uma cria…”

Como éra rasoavel que sucedesse, de lá não gostaram do verso, botaram-me uma língua de palmo, chamaram-me “sem educação” e foram queixar-me á minha mãe.

A’ tarde houve reclamações em casa, de que resultaram mais uma vez os costumeiros “pitos” á insolencia e atrevimento de minhas atitudes, resolvendo eu, de mim para mim, ensaiar umas rimas mais apropriadas para, de outra feita, premiar condignamente aqueles mexericos.

Longos annos passados convenço-me hoje de que a oratória tem mesmo dessas dificuldades. Os obstaculos que encontrei na meninice, através da intrugice e da ogeriza  daquelas moças indiscretas, deparei do mesmo modo em outras fázes da vida, quando ouzei “afrontar” algumas vezes determinados auditorios. Há individuos importunos e inoportunos que trepam commumnte os muros da critica, para nos atormentar e confundir as palavras e as idéas mal élas brotam á flôr dos lábios, esquecendo-se quasi sempre da “roupa suja” que trajam, de tal modo que eu, por fim, abandonei a tribuna dos meus discursos oraes que tiveram sempre a pouca sorte de serem atrapalhados, desde os albôres da juventude…

Mas, voltando ao meu quintal e aos meus ensaios tribunicios, lembro-me que em certo dia entraram em casa, acompanhados de meu Pae, dois homens rusticos, sem paletós, conduzindo ferramentas, dirigindo-se para o terreiro.

Acompanhei-os. Lá assisti ao desmoronamento de todos os meus sonhos, ouvindo meu Pae dar-lhes esta ordem: –

“- O serviço é esse. Vocês demulam esse forno…”

E o forno foi destruido . E a “tribuna” das minhas entuziasticas arengas caío de uma vez par sempre. E no local levantou-se um galinheiro… O’ vida! Ó vida! Como suspirava sancho deante da imcompreensão do mundo ao valôr do seu Senhor: “és sempre, pela tua maldade, a responsavel única pelos talentos que morrem no berço…”

Daí por deante não pude mais entoar as lôas da minha oratória, nem ás minhas despreocupadas galinhas, então “importantes” no galinheiro novo, nem ás impertinentes raparigas do outro lado do muro. Sem duvida que as Academias os Tribunaes, as camaras, os salões e as praças publicas perderam mais com as picaretas daqueles homens sem pacós do que perderam os celeiros da terra quando desabalaram do céo as chuvas torrenciaes do diluvio…

Annos depois, indo eu à Brotas, encontrei-me certa ocasião com a Maria. Éra a mesma. Feia como sempre. Apenas bem mais velha. Conversei com éla. Perguntei-lhe a respeito de sua família.

Num certo instante Maria desabotoou um sorriso amarélo nos labios sofredores e perguntou-me de ólhos baixos:

– “Sr. Gersão, o sr. se “alembra” dos seus discursos em cima do forno? …”

Os porquês do fracasso na vida humana

(Rev. Joel de Melo Miranda)

Razões do Fracasso da Vida Humana

Os dias que atravessamos, são dias de verdadeiro fracasso para a vida humana.

Intriga mesmo termos de reconhecer que a ciência eleva-se aos píncaros alcandorados de uma gloria verdadeira e, ao mesmo tempo, o homem, que vive nesses dias de luz e deslumbramento, descrença a cada momento.

Intriga, mas é a verdade.

Pode ser que os sonhadôres vejam essa dura realidade por prisma diferente. Mas já se foi a época em que se podia viver cantando, poesias, melódias, que a vida é uma rosea ilusão…

Hoje, o que se exige, o que se impõe é a apreciação do fato que se apresenta deante dos nosso olhos e o encará-lo na sua muda rudesa…

Não vamos dizer que a vida seja má. Isso não representaria a verdade. A vida é bôa, para não avançarmos na afirmativa de que é ela excelente.

Não lhe sabe bem a culpa dos males que lhe tem sido impostos.

Uma linda paisagem, da natureza, sempre cheia de explendôr, pode ser ofuscada e tornar-se abismante, sem que se lhe possa arremeter a causa da tristura que lhe tira toda a magestade e todo primôr.

E’ assim com a vida.

Motivos que lhe não são increntes há que, todavia, a transformam e pavôr e infelicidade.

Não que ela seja isso, porém.

Tentemos descobrir as razões do fracasso na vida humana.

Uma simples observação levar-nos-á a encontrar os porquês desses fracassos e, conhecida a causa, estaremos habilitados, talvez, a tomar partido melhor a nosso favôr.

O primeiro motivo, a nosso ver, é o predominio do eu, tão natural ao nosso coração.

O egocentrismo é molestia perigosa, capaz de derriblar mesmo que seja um edificio sólido como o é o da sociedade humana.

Se o homem fôra feito só para pensar em si mesmo, circunscrever-se ao seu proprio eu, naturalmente. Deus lhe não teria dado uma companheira nem o teria feito responsável pela perpetuidade da especie.

O interesse da vida não alcança só o individuo. Vai ao semelhante, atinge o próximo.

Quebrada esta lei, violado este princípio, fatalmente virá a desordem aos sistema social nosso. E é precisamente isto o que estamos encontrando pelo nosso caminho.

Outro motivo, ao nosso ver, é a insaciabilidade que nos devóra.

Aquele sentimento tão belo e tão maravilhoso, decantado por São Paulo, o sábio, o filósofo, o crente que jaça, aquele sentimento que lhe empolgára a vida toda, sentimento que o levava a contentar-se com qualquer situação que lhe ocorressé, é avis rara no viver dos nossos tempos.

Há uma preocupação constante, da nossa parte, com os problemas da vida e de tal maneira os dificultamos que os deixamos a todos sem solução alguma.

Vai assim pelo mundo afóra…

Ora, esse eterno nunca contentar das nossas eternas ambições, mui naturalmente, conduz á condição que caracteriza os nossos dias.

Outro fator do fracasso, parece-nos a nós, é o esquecimento de nossa dependência de Deus.

Pensando só em nós mesmos, preocupados só com o que poderia concorrer para a nossa só felicidade pessoal, embora prejudicados os interesses alheios, não procuramos atender os clamôres vivos da noss’alma, alienamo-nos da verdade fundamental de que há um Supremo Governadôr de todas as coisas e de que sem a obediência á sua vontade nada poderemos obter e, consequentemente, nos tornamos como aquele cégo, de quem falava Jesus na sua parábola, o qual, sendo guiado por outro cégo, infalivelmente, iria cair na primeira vala que deparasse pela estrada a dentro.

De certo, há outros motivos. Mas êsses são os mais fortes e os mais temíveis. E no dia que o homem quizer acertar, realmente, aceitar e vencer, evitar o fracasso, sob cuja ameaça tem sempre vivido, nada mais lhe resta fazer senão fugir desses três ocasionadôres de todas as desditas – o egoísmo, a incontentabilidade  do seu coração e o alienamento de Deus!

(Gerson de Mendonça, Presidente do Rotary Club de Jaú)

O Nosso Deus

1. O Deus de Paz – Filip 4:9

2. O Deus de Amor – 2 Cor. 13:11

3. O Deus de Perdão – Neem 9:17

4. O Deus de Paciência . – Rom. 15.5.

5. O Deus de Esperança – Rom. 15:13

6. O Deus de Consolação. – 2 Cor. 1:3.

7. O Deus de Toda a Graça. – I Pedro 5:10

8. O Deus da Glória. – Atos 7:3

Uma Profecia e um Soneto

O soneto que se segue e estas notas foi escrito a proposito da descoberta da “Pedreira”, ou monumento prehistorico de Reginópolis, em cujo cimo viu-se farfalhando por muitos dias, em 93, a bandeira da nossa terra.

Vindo de Lenções, a cêrca de sessenta anos, áquelas paragens se acolhêra o padre Geremias, que, por sofrer do mal de Ansen, deliberara, do motuo proprio, fugir ao convivio dos civilizados indo exilar-se no sertão em companhia de alguns escravos. De posse daquele naco de sertania devoluta, teve êle o prazer de constatar que em suas terras havia uma coisa extraordinária, consoante a restos de uma antiga civilização. Examinado-a, cuidadoso, supôs o bom do padre tratar-se evidentemente de obra da mão do homem, feita em épocas remotas. Assim pensando, proferiu, então, esta profecia

(ouvida e repetida por pessoas que o acompanhavam, das quaes duas ainda vivem): -“Sei que aqui está enterrada alguma coisa muito importante. Sei porque “as pedras falam”, e eu estou ouvindo-as falar. Um dia Deus mandará um homem vir remexer este monte de pedras; então há de se saber o que vem a ser isto”.

O Clamor das Pedras

Se dado te fôra, ho! Geremias!
Da tumba em que descanças desta vida
Volver ao cenário, tu verias
A tua predição hoje cumprida

Golpeada a colina, tudo se revela!
Bipartida a montanha, aberta a penha,
A mão de Deus e a do homem, em toda ela,
Fantasticamente se desenha!

Embora com seu saber profundo
Proclame a voz da ciência pelo mundo
Ser obra da natureza a coisa inteira.

Do tôpo da colina, tremulando,
O Pendão Auriverde está bradando:
– Sou de pedra mas não sou “Pedreira”.

(Dr. Horacio Nogueira)

[NOTÍCIA]

Rev. Valério Silva

Morreu o rev. Valério… há poucos mêses por toda parte, se divulgou esta notícia dolorosa. Corações amigos, ante o funesto acontecimento, se amarguraram. A dor, transbordando-nos o peito, subiu aos olhos, onde se cristalizou em lágrimas copiosas. Choramos a morte prematura dêste varão bondoso.

O rev. Valério Silva era uma destas almas peregrinas, que para semear o bem vêm ao mundo. Alegre, bondoso e companheiro leal, todos o queriam para amigo. A alma cândida, o ânimo forte e a palestra oportuna nos convidavam a convivência. Dos lábios brotava-lhe fácil a palavra, que confortava o enfermo encorajava o desanimado e alegrava o triste.

Deus o havia predestinado para uma grande obra. A’ semelhança de Samuel, êle ouviu-lhe a voz dêsde a infância. Foi sempre um bom cristão. Ansiava o ministério sagrado. Mas êste anelo ardente da alma tomava-lhe ares de impossibilidade. Era pobre e o cuidado de  sua mãe viuva e irmã querida lhe absorvia todo o tempo e recurso.

Mas, quando Deus escolhe, os obstáculos materiais não impedem. Começou os estudos em São Salvador. Estudava e trabalhava como oficial de uma barbearia. Mais tarde se tornou professor de música, geografia e outras matérias. Em 1930, com auxílio de pêssoas amigas, veio estudar no Curso Universitário José Manoel da Conceição. Aquí fez brilhante carreira. Desferiu os primeiros voos na oratória sacra. A palavra elouquente e de unção divina trouxe muitas almas aos pés de Jesus. Eram numerosos os convites para fazer série de conferencias em vários lugares.

Feito o curso pré-teológico, foi terminar os estudos no Seminário de Campinas. Lá, continuou o batalhador, entre dificuldades, a conquistar laureis.

Tendo larga experiência na seara do mestre e por pedido insistente do campo bragantino, o presbitério de São Paulo dispensou-lhe o ano de licenciatura e assim, em 29 de janeiro de 1936, foi ordenado ministro evangélico da Igreja Cristã Presbiteriana. Realizava-se, desta maneira, o seu ideal, que lhe custara amor e sacrifício.

Trabalhou primeiramente, no campo bragantino. Os resultados ultrapassaram a espectativa; houve um reavimento espiritual em todo campo. A Igreja de Bragança, como as árvores frondentes plantadas á margem fértil de regato, cresceu. O relatório pastoral publicado no fim do ano é fascinador. Atividade constante, conversões numerosas, organizações, visitas e viagens são narradas com amor, piedade e modéstia. Querido por crentes e não crentes, permaneceu no campo de Bragança, até princípio de 1938, quando foi removido pelo Presbitério para a Igreja de Pinheiros ( São Paulo), que atravessava uma fase delicadíssima de vida.

Por está ocasião, com júbilo, recebo dêle uma carta. Leitor amigo, nota, cuidadosamente, como êle encarava a situação. Eis um trecho da carta: – “O nosso Presbitério resolveu entregar-me as igrejas de Pinheiros, Santos e congregação presbiteral de Parnaiba. Entrarei, pois, cheio de confiança e fé naquele mar agitado. Espero em Deus que, por entre dificuldades, estabeleceremos a paz e o refrigério, como fizemos no campo de Bragança”.

“O campo aquí não gostou da resolução e está mandando protestos; e de lá, a parte amiga do ex- pastor está protestando também a saída dêle”.

“Eis o terreno em que pisamos; agora, repetindo as palavras de Lutero: – Deus não me conduz; impele-me, arrebata-me, não sou senhor de mim mesmo, queria estar em descanço, mais sou compelido para o meio das lutas e das revoluções”.

“O meu hino favorito, agora, é êste: – “As tuas mãos dirigem meu destino”.

Que pureza de sentimento!… Que sublimidade de espírito!… Que vida piedosa!… se revelam nesta carta. Posso garantir-te, leitor inteligente, que sempre assim, encarou os problemas da vida. Estava sempre em comunhão com Deus; a oração era a chave mágica com que abria as portas fechadas pelos obstáculos.

Veio para Pinheiros. Por alguns mêses lutou com o desassombro de quem tinha uma missão divina a realizar. Foi coroado de éxito o seu esfôrço.

Em plena atividade, porém, cheio de planos e entusiasmo é atacado por uma fatal moléstia.

Abigo, vais agora focalizar mais uma faceta brilhante desta vida vitoriosa: A enfermidade brumara-lhe o céu de suas idealizações. Desejava trabalhar e a morte prendia-lhe as mãos. Não blasfemava, não desespera; longe disto. Domina-lhe o ser outro pincípio, ei-lo: “todas as coisas redundam em benefícios dos que amam a Deus”. ( Rom. 8-28. E porisso, na angústia do sofrimento, com um sorriso da bondade, saudava os visitantes. Quem escreve estas linhas, guarda na mente um sorriso dêle, nos dias da enfermidade, talvês o mais significativo sorriso que já contemplei.

Morreu ás 22 horas e 5 minutos, do dia 28 de novembro de 1938. Não compreendemos, porque Deus o tirou. Os designos do Creador ultrapassam-nos a compreensão. Uma coisa, porém, sabemos e esta basta: Deus guiava-lhe os destinos, atendendo-lhe, assim, a prece cantante da alma cristã:

“As tuas mãos dirigem meu destino;
O’ Deus de amor! Folgo que seja assim!
Teus são os meus poderes, minha vida,
Em tudo, eterno Pai, dispoe de mim.

Meus dias, sejam curtos ou compridos,
Passados em tristezas ou prazer.
Em sombra ou luz; é tudo como ordenas!
E bemvindo é, sendo do teu querer”.

(Adauto Araujo Dourado)

Spurgeon

Um grande artista pintára a parte da cidade em que residia e, para fins históricos, quis por na pintura alguns caracteres bem conhecidos na cidade.

Um varredor de ruas, esfarrapado, mal penteado e sujo era bem conhecido e havia um logar próprio para ele na pintura. O pintor disse a êsse homem:

“Pagar-lhe-ei bem, si vier ao meu gabinete para eu tirar-lhe o retrato”. No outro dia o varredor compareceu, mas o pintor recusou tirar o retrato do homem, pois êste havia feito a toilete e vestido boa roupa. O artista queria o retrato dum operário pobre.

Assim também, e Evangelho não nos receberá si não viermos como pecadores.

“Seu rosto não lhe pertence“

– Meu filho, – disse certo bom pae que sabia como gracejar e ser um bom  camarada de seu filho de sete anos de edade, – seu rosto não lhe pertence.

O menino olhou para ele, admirado. Ele tinha vindo para o café da manhã, todo carrancudo, e parou de comer. Todo mundo via a sombra do máu gênio do seu olhar.

As palavras do pai trouxeram o menino á realidade e ele olhou-o com uma expressão de culpado, sem todavia compreender o sentido delas.

– Seu rosto não lhe pertence, repetia seu pai. Não se esqueça disso. Ele pertence aos outros. Eles, não você, têm de olhar para seu rosto.

O menino nunca tinha pensado nisso, mas ele entendeu e não se esqueceu dessas palavras. Todos nós também devemos entender, e ninguém deve esquecer-se de que nossos rostos pertencem aos outros, e conservemos uma expressão doce, bondosa, um olhar limpido e alegre.

(Transcrito)

Bancarrota Espiritual

1. Quando a mulher tinha gasto tudo, então veiu a Jesús. – Marcos 5:26-27.

2. Quando o pródigo tinha gasto tudo, então veiu a seu pai. – Lucas 15:14, 20.

3. Quando os egípcios tinham gasto tudo, então vieram a José. – Gen. 47:18.

4. Quando os dois devedores não tinham nada com que pagar, o credor perdoou a ambos. – Lucas 7:42.

(D. L .Moody)

O Redentor de Job

1. E’ Um Redentor Pessoal

2. E’ Um Redentor Vivo

3. E’ Um Redentor Visível

4. E’ Um Redentor que há de voltar.

(R.V.A., Extraído do Expositor)

Vinde

1. “Vinde e vêde” – para Salvação (João 1:39)

2. “Vinde” descansar para – Segurança (Mar. 11:28).

3. “Vinde vós aqui á parte” – para Separação (Marcos 6:31).

4. “Vinde, jantai’ – para Satisfação. (João 21:12).

(T. J. Undermood)

[SERMÃO]

Vida Vitoriosa

Somos mais do que vencedores…” (Romanos 8:37)

Já cantava Gonçalves Dias, no belíssimo poema “Tamôios”:

“Não chores meu filho, não chores,
Que a vida é luta renhida, viver é lutar
A vida é combate
Que os fracos abate
‘que os fortes e os bravos
só pode exaltar!”

Introdução

Verdadeiramente esta vida é uma luta. Luta-se para ganhar o pão de cada dia. Luta-se para adquirir conhecimentos.

Luta-se pela conquista de um ideal alevantado

Luta-se para se conservar uma moral pura e sadia

Luta-se para galgar as culminâncias espirituais.

E em tôda a luta há vencidos e vencedores.

Na complexidade da existência, no combate sem tréguas contra as modalidades da vida, há os que ficam á margem e os conquistam as palmas da vitória.

Há os derrotados financeiros; os vencidos pelas doenças, os abatidos pelos sofrimentos; o grande escritor Camilo Castelo Branco não resistindo os vendavais das amarguras que lhe sobrevieram, suicidou-se.

Há os aprisionados pelo vícios. Ao lançarmos os olhos no panorama social onde se desenrola a luta da existência, ficamos extasiados diante dos inúmeros derrotados. Há muitas ideologias pessimistas que já decretaram a falência da personalidade humana. Mas eu creio que o homem pode vencer. O nosso Creador dotou-nos de capacidades físicas, morais e espirituais que podem levar-nos á vitória.

Estamos diante de um texto em que o autor se considera juntamente com muitos irmãos da Igreja florescente um vencedor da vida.

“Somos mais do que vencedores”…

* Mas como Paulo era um vencedor si sofreu tantas perseguições pela sociedade do seu tempo?

* Certa vez um homem passou pelo anfiteatro em Roma e se lembrou das palavras do nosso texto, e disse para consigo mesmo: como São Paulo era vitorioso si o seu corpo era pó perto das Três Fontes? Sim, éra vencedor porque soube encarar triunfantemente os problemas da vida, morrera testemunhado a fé em Jesús, e a obra evangélica que realizou permaneceu desafiando os séculos. Era um vencedor.

Um papa disse a um peregrino que fôra á Roma em busca de relíquias sagradas: “Leva o pó do Coliseu porque êle simboliza sangue e o sangue dos mártires é o seu cântico de vitória.

Vamos primeiramente analizar em poucas palavras a sua “Vida Vitoriosa”.

Vitórias Temporais

Paulo soube transpor as dificuldades temporais.

Para termos uma ideia clara dos sofrimentos que assaltaram a vida prodigiosa do Apóstolo dos gentios, basta que leiamos a última parte do cap. 11 de II Coríntios onde êle canta cheio de fé o martírio de sua vida.

Desafio o mais intrépido leitor, si já tem passado pela metade dos sofrimentos de Paulo. Três vezes teve seu corpo estraçalhado pelas varadas, e uma vez pelas pedradas dos inimigos. Sofrera três terríveis naufrágios. Em viagens muitas vezes, em perigos de rios , de salteadores, em perigos dos de minha nação e dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, e entre falsos irmãos. Em trabalhos e fadigas em vigílias muitas vezes, com fome e sêde, em jejuns muitas vezes, em frio e nudez.

Quando êle estava passando por todas essas peripécias que são suficientes para abater o mais forte mortal, exclama cheio de regosijo espiritual: “Quando estou fraco, então sou forte. – Tudo posso naquele que me fortalece”.

Era um vencedor das dificuldades temporais porque tinha a alma aberta para receber a interferência Divina promanada do infinito e que o impulsionava ás mais explêndidas vitórias temporais.

Vitórias Morais

E’ necessário um maior esforço para ser um triunfante das lutas morais.

A princípio parece que S. Paulo era um fracassado moralmente. “Porque o bem que eu quero eu não faço, o mal que eu não quero é justamente o que eu faço”.

Quando as forças tenebrosas do mal se levantavam para sufocar a semente da verdade que brotára em sua alma, êle brada: Miserável homem que eu sou, quem me livrará do corpo desta morte? Rom. 7-24.

Travára nos  recônditos mais íntimos da sua alma uma luta titânica entre o Evangelho de Cristo e as paixões turbulentas que assaltam o coração humano.

Quem sairia vencedor?

O velho Adão, ou Cristo o Redentor?

No cap. 8 de Rom. Escreve: “Graças dou a Deus por Jesús Cristo, o nosso senhor. Pois nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesús”. Era um vencedor moralmente, gastou toda a vida de convertido prégando com autoridade contra os vícios e as imoralidades. Achava-se em uma elevação moral tão surpreendente que disse: “Não sou eu que vivo , é Cristo que vive em mim”. Havia conquistado a mais gloriosa, a mais excelente vitória moral, o esmagamento de “EU” pecaminoso e egoístico.

Era um grande vencedor no terreno da moral.

Vitórias Espirituais

Paulo acima de tudo era um vencedor espiritual.

Achava-se nos cárceres frios de Roma, mas dizia: – O Evangelho não está preso – e escrevia cartas espirituais confortando os crentes. Era um vencedor espiritual porque soube conservar acesa em sua alma a chama da fé. Era um vencedor espiritual porque soube vencer a incredulidade dos homens. A sua palavra se revestia de tanta piedade, que, reforçada pelo espírito Santo servia para despertar as consciências adormecidas pelo pecado. Era um vencedor do espírito porque em sua alma veneranda de apóstolo encerrava um dinamismo espiritual que foi capaz de sacudir as colunatas dos impérios pagãos e atravessar as muralhas dos preconceitos e idolatrias.

Alcançára os píncaros mais elevados das regiões dos céus e podia com os olhos da fé descortinar os panoramas da vida espiritual, e assim tinha autoridade para dizer: “sêde meus imitadores como eu sou de Cristo.”

No fim da vida êle termina seu hino de vitória com estas palavras: … “Só me resta agora receber a corôa de glória que o justo juiz me dará naquele dia…”. Era um vencedor…

Mas qual será o segredo desta vida vitoriosa? São João nos responde: “Esta é a vitoria que vence o mundo – A NOSSA FÉ. Não era um vencedor pelas próprias forças.

Conclusão

Dizem os psicólogos que a nossa vida é um conjunto de emoções e inergias que pode levar-nos á vitórias ou ao fracasso. Há certa verdade neste fato, mas o mal está em te colocar todas as possibilidades de triunfo ou derrota só no homem.

Paulo venceu na vida com o auxílio divino. Jesús prometeu auxiliar-nos quando disse: “Estarei convosco até a consumação dos séculos”. E esta promessa  tem sido comprida.

Mas não foi só Cristo que foi vitorioso pelo apóstolo, pois, isto seria anular a personalidade humana. A VIDA VITORIOSA é individual não só do homem e nem só de Cristo pelo homem, mas do homem pela fé em Cristo. “Somos mais do que vencedores, POR AQUELE que nos amou”.

Portanto o segredo da vida vitoriosa está na fé, que constitue a alavanca poderosa para mover todas as dificuldades. Jesús já havia dito: Si tiverdes fé como um grão de mostarda direis a êste monte: – Monte, sái daqui e lança-te no mar, êle te obedecerá”.

Paulo diz: “Combatí o bom combate, acabei a carreira”, e accrescenta: “guardei a fé”, porque aquí está o segredo da sua vitória, ter conservado a fé.

Mas o nosso texto diz que Paulo não era só um vencedor, mas sim, mais do que vencedor. Um crente que tem Cristo no seu coração é um vencedor, na vida espiritual, mas aquele que procura levar aos outros esta mesma graça, é mais do que vencedor.

Leitor amigo, a tua vida é verdadeiramente vitoriosa?

Irmãos em Cristo, tens sido apenas uma vida vitoriosa ou mais do que vitoriosa/

Leitores em geral, respondei sinceramente estas perguntas.

(Josué França)

Itatiba

Um fato digno de registro em nossas colunas, e que patenteia um exemplo de esforço, perseverança e fé, é o trabalho que o dedicado jovem Samuel de Melo vem conseguindo há mêses na Congregação de Itatiba.

Impulsionado pelo amor transcedente ás almas perdidas, o nosso prezado colega vem auxiliando o trabalho evangélico no lugar citado.

Há anos foi Itatiba um grande Centro da Seara do Mestre, de onde se irradiaram as luzes da Salvação á muitos lugares. Com o correr dos anos as famílias crentes tradicionais se mudaram, havendo quasi que o desaparecimento total da Congregação.

No ano passado alguns colegas se esforçaram para a reanimação do trabalho. Dentre êstes destacamos o nome do Snr. Samuel que durante alguns mêses ia do Conceição a Itatiba para prégar, muitas vezes, á duas ou três pessoas.

A insistência dos trabalhadores não foi em vão, pois logo apareceram os frutos e em um curto espaço de tempo o trabalho cresceu admiravelmente. Hoje se préga a um auditóriode trinta ou quarenta pessoas.

Há motivos de rendermos graças a Deus pelo reavivamento do velho centro evangélico, e prestarmos uma homenagem ao jovem esforçado Samuel que foi um dos elementos que têm cooperado na implantação da fé na nova geração de Itatiba.

(Josué França)

Waddell, um  Homem  Íntegro

O protestantismo brasileiro muito deve aos intrépidos missionários que aquí surgiram pela primeira vez. Só o gesto de abandonarem o seu país de origem e se entregarem a uma obra que exige tantos sacrifícios, merece de nossa parte profunda admiração. E’ de lamentar que muitos beneficiados não tenham reconhecido merecidamente a grandeza da renúncia desses arautos incansáveis e desprendidos. A maioria, porém, empresta grande importância ao labor fecundo desses mensageiros que souberam grangear a nossa simpátia.

As páginas da história do nosso movimento religioso estão repassadas de justa homenagem aos dilétos portadores da palavra de Deus, em nosso meio.

E’ o que se verifica nas páginas inconcussas do livro do Rev. T. Lessa – Os Anais da 1.º P. de S. Paulo – onde se patenteia eloquente ensaio à história geral do trabalho missionário no Brasil.

Waddell, antes de tudo, era um missionário. Foi um desses que a história deverá registrar com distinção no elenco das grandes figuras que contribuíram para a disseminação do Evangelho neste imenso país. Nascido na outra extremidade do nosso continente, para estrouta se dirigiu e nela passou a maior parte da sua existência.

Distingui-se com superioridade do ponto de vista intelectual, cuja capacidade pouco vulgar era incontestável. Dotado, como era, de larga visão, encarava, com peculiar serenidade de inteligência, os grandes problemas que ora desafiam os espíritos mais em evidência. A idade avançada não o inibia de raciocinar com clareza e precisão. As suas conclusões eram dignas de apreço.

Foi assim que Waddell conquistou o coração de seus discípulos, infundindo neles justa admiração que os anos não hão de destruir. Ao contrário, o tempo falo-á ressurgir na escola e na igreja sob as fôrmas de “Grêmio Waddell”, “Curso Waddell”, “Classe Waddell”, a que tem direito o ínclito missionário americano.

A sua grandeza não se evidenciou no mundo intelectual, mas de maneira deslumbrante no do caráter. Possuía a mais bela das virtudes – a modéstia.

Durante o tempo que estive sob seus cuidados, como aluno, desconheço do insigne mestre uma atitude que diminuísse o conceito que dele fazia.

Estas qualidades, por certo hão de ter influido nos destinos dos meus colégas que neste momento arcam com a responsabilidade de grande envergadura no seio da sociedade. O contáto díario com êsse grande professor, de carater poso-a-toda prova, requintado, teria que produzir, inegavelmente efeitos benéficos. Essa virtude que embelezou consideravelmente a vida de Waddell, bem demonstra que foi resultado de sua intimidade com Jesús, o único suficiente modelador dos corações. Percebiam-se nas suas atitudes um fundo inteiramente cristão. A obra que vinha realizando era expressão mais nítida da sua união com Deus

Waddell operava inteligentemente na alma de seus discípulos. Ministrava as suas aulas com carinho e paciência. Dava, sempre que achava oportuno, lugar aos alunos afim de que reflitissem. Despertava no correr dos estudos de qualquer disciplina um interesse extraordinário. O exame, para êle, não era o único meio de conhecer o estudante. Todo professor que não conhecesse a alma dos seus alunos, ao seu ver, podia intitular-se guia de moços. Pensava e assim procedia porque estava certo de que o mundo não há de melhorar tão somente pelo conhecimento intelectual, como julgam os socratianos, mas pela bondade, pela transformação dos corações atravez de Jesús. Os grandes problemas da humanidade, quando resolvidos pela inteligência, sem a luz que promana dos céus, não trazem a estabilidade esperada. A Europa é um exemplo.

A obra que Waddell foi de grande alcance. Alí está o Curso Universitário J.M.C., que honra o seu esforço. Preencheu, com êle, uma lacuna que se fazia necessario. Dotou o futuro ministério de um preparo básico que o não deixa inferior aos que se realizam nos grandes cursos humanísticos da Europa e América do Norte.

Além deste curso, considerado sua obra prima, Waddell muito se agastou em trabalhos do mesmo jaez, noutros estados. Lutou pela grandeza do Brasil Os sinais de sua passagem  pela nossa pátria são indeléveis. Prestou relevantes serviços ao Mackenzie College, instituto educativo que se distingue entre os demais de S. Paulo.

Waddell deixou-nos saudosas recordações pela integridade de seu carater. Seus serviços forma assás valiosos, e sua vida um exemplo de renúncia.

Imortalizêmo-lo na história e no coração.

São José dos Campos, 1 de Março de 1939

(Domingos de Macedo Custódio)

Cinco Minutos

Em cinco minutos pouco se diz, porém muito acontece: Uma cidade inteira póde ser presa de chamas devoradoras; Esaú trocou e perdeu para sempre o seu direito de primogenitura; um negócio deshonesto, uma palavra ignominosa mancham, para sempre, uma alma, de tal modo que rios de água não lhe restituem o estado de pureza e candura.

Em cinco minutos póde um Saulo tornar nome; pódes abismar-te na infelicidade, hoje e sempre. Em cinco minutos pódes partir para a Eternidade.

Contudo em cinco minutos, também pódes apreender uma idéa nova e empreender uma causa bôa. Como o filho pródigo, pódes reconhecer o teu estado pecaminoso e voltar do caminho de correção.

En cinco minutos póde um Santo tornar-se Paulo. Cinco minutos em silêncio – pela manhã, ao meio dia e à tarde como Daniel, e cinco minutos aos pés de Jesus, como Marta, em Betânia – pódem modificar o curso dos nossos dias agitados.

A vida tôda compõem-se de cinco minutos. Cinco minutos perdidos nunca mais pódem ser recuperados. Cinco minutos com Deus sempre são fontes de bênçãos.

(Leituras diárias, traduzidas do Alemão por A. Rickli)

Notícia

O rev. Jorge Cesar Mota, “ex-manuelino”, após um ano de pastorado na igreja de Aracajú, Sergipe, é co-pastor da Igreja Unida de São Paulo.

Revista “Fé e Vida”

E’ com imenso prazer que apresentamos aos nossos leitores a nossa colega, a oportuna revista Fé e Vida, publicada sob a orientação, indiscutivelmente sábia, do venerando servo de Deus, o rev. Miguel Rizzo Junior.

Aconselhamos a leitura desta ótima revista, quer pelo selecionado corpo de colaboradores, quer pela atualidade dos assuntos e quer pelo cunho profundamente espiritual.

O rev. Miguel Rizzo Junior está mais uma vez de parabens pela sua magnifica revista.

Desejamos ao nosso colega uma vida próspera e longa.

[HINOLOGIA]

Os Hinos de Lutero

Razão Suficiente Heinrich Heine tinha ao chamar o hino “Rochedo forte é o nosso Deus”, a Marselhesa da Reforma.

Era êle a canção marcial da Igreja Militante, na prossecução conquistadora, em seu terrível conflito com a hierarquia de Roma.

A data em que foi escrito não se sabe ao certo; tem-se como provavel  o dia 19 de abril de 1529, dia em que o famoso Protesto, que deu aos reformadores o nome “Protestantes”, foi apresentado á dieta de Spira.

Os cânticos sagrados eram umas das armas de maior eficiência usadas por Lutero e seus amigos no grande empreendimento da reforma.

Quando menino, Lutero e três companheiros iam ás pequenas cidades, de casa em casa, pedir alimentos, e mesmo em Eisenach, anos depois, foi obrigado a implorar o pão, cantando de porta em porta.

Madame Cotta, atraída por êsse fato, deu-lhe, nos dias de penúria, hospitalidade em sua casa. Ocupou no mosteiro de Erfurt o logar de corista e cultivou dêsse modo a arte pela qual tinha verdadeira paixão, preparando-se para o grande trabalho de crear, para a Germânia e para o mundo, novo e efetivo culto, os cânticos evangélicos.

Êle mesmo escreveu a Spalatin: “É minha intenção, tendo em vista o exemplo dos profetas e antigos pais, fazer salmos germânicos para o povo, isto é, cânticos espirituais pelos quais a palavra de Deus possa permanecer viva pelo canto”.

Escreveu trinta e sete hinos; alguns, vieram dos salmos; outros, tradução de velhos hinos latinos e alguns, composição originais.

A princípio escreviam-se êles em folhas que eram distríbuidas ao povo. O primeiro hinário da Reforma foi o “Erfurt Enchiridion”, impresso em Erfurt em 1524.

Tão populares se tornaram êsses hinos que nada menos de quatro impressores, somente em Erfurt, trabalhavam para imprimi-los.

Cantavam-se êles por toda parte, permeando a mente popular com as grandes verdades da doutrina reformada.

Nas estradas germânicas em que se entremearam homens e mulheres para comprar indulgências, agora ecoavam as alegres estâncias dos reformadores.

Audin disse que os hinos de Lutero tiveram prodigioso sucesso.

Os católicos disseram: “Lutero nos causou maior mal com seus hinos que com seus sermões”. O cardeal Tomás-á-Jesu escreveu no século XVI: “O interesse por Lutero aumentou de modo extraordinário pelo canto de seus hinos, em toda classe social; não somente nas escolas e igreja, mas nos lares, oficinas, mercados, ruas e campos.”

Uma hinologia-nacional, veemente e apaixonada, ricamente entremeada com as grandes verdades do Evangelho, expressa na língua paterna, nivelada á mente popular e adptada ás necessidades do povo, foi creada, da qual, Martinho Lutero foi o pai e da qual o seu “Rochedo forte é nosso Deus” é o principal exemplo. Nenhuma outra hinologia no mundo se compara a essa na abundância de sua produção e riqueza de pensamento e expressão.

Êste livro, surgindo na grande era da Reforma, marca também uma era correspondente na hinologia cristã.

(Adaptação de Luiz Rodrigues)

[REFLEXÃO]

A Esperança

Quem não deseja, após as fadigas de uma longa caminhada, encontrar um lugar onde possa descançar à sombra de árvores frondosas; refrigerar-se com a água fresca e cristalina de uma fonte e respirar o odôr de flôres perfumadas?

Assim, na jornada da vida, quão intoleráveis e áridos não seriam os nossos dias, se não tivéssemos para amenizá-los, a Esperança, essa “amável companheira da vida” que tanto nos alenta e estimula. Sem ela, o lavrador não teria tanta perseverança e constância para cultivar a terra, o marinheiro não arrostaria a sanha do mar furioso e embravecido; o enfermo não suportaria suas dôres, nem o cativo o peso do seu cativeiro.

Não fôra a Esperança, sucumbiriamos ao peso dos males que se sucedem. “Ela tem a arte de separar de nós o que está em contáto conosco, e aproximar de nós o que julgamos inatingível; livrá-nos do presente, quando inoportuno, e nos traz o futuro, quando êste parece vantajoso”.

Não existe lar, rico ou pobre, que não a acolha; não há coração, altivo ou humilde que não o abrigue. Por onde passa, deixa benefícios e consolações, sobretudo nos lares construidos em choupanas e casebres rústicos e nos corações desesperados e aflitos.

Se os corações abrigam essa esperança terrena, tão sujeita aos enganos, por que não acolher a mais promissôra esperança a divina, que não consente esperemos em vão? Po mais que nos alimentemos dessa Esperança, nunca será demasiado, pois tem por fim levantar-nos, fortalecer-nos, aliviar-nos as dôres e estancar-nos as lágrimas.

Saturemos nosso coração dessa Esperança, fresca viração que ameniza os ardores da vida. Estrela que brilha no firmamento da existência, nas noites mais sombrias; artista que sabe colocar sobre as urzes que cobrem nossa vida, flôres aromáticas; acorde melodioso extraídos das cordas de uma harpa, cujo som nos acompanha a vida até o dia em que alcançarmos o lugar que Deus nos reservou.

(Marni)

[SOCIAIS]

Viver

Ansiosa percorri os mestres para saber o que era a vida. “A vida é água que corre”. “A vida é lago tranquilo”. “A vida é um pranto”. “A vida é um sorriso”, etc. Foram as loucuras que me disseram. Fiquei, pois, desapontada com os conceitos contraditórios sobre a existência.

Comecei a cismar… Apesar de ser moça amiga das inquietações graciosas que nos divertem, mergulhei-me na meditação, á semelhança dos filósofos, que enamoram o pensamento. Palmilhei o mundo das ideias a perguntar constantemente: O que é a vida?…

Ilumina-me a mente uma conjectura feliz. A vida deve ser alguma coisa que agasalhe no mesmo ninho a dor e a alegria, o sorriso e a lágrima.

Que será semelhante á vida?

Compará-la-ei ao amor, porque nêle a dor e a alegria unem-se num amplexo de amizade, é um mixto da lágrima que entristece e do sorriso que encanta.

Viver é amar.

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Cupido, dá-me a tua seta, com a qual transpassareí os corações. Quero viver amando…amando… porque amar é viver feliz.

(Lêda)

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Aniversários

Os seguintes colegas fizeram anos no mês de : –

Janeiro

Dia 03 – Francisco Guedelha e Alípio P. de Carvalho
Dia 05 – Sebastião Tillmam
Dia 17 – Wilson G. Sallum
Dia 19 – Felipe Campos
Dia 25 – Adauto Araujo Dourado
Dia 28 – Breno P. de Oliveira

Fevereiro

Dia 02 –  Coriolano Assumpção
Dia 03 –  Elí Magalhães
Dia 10 –  Caetano A. Leite
Dia 12 –  Carlos Alberto Jordão
Dia 27 –  Profa. Da. Ana Rickli, Diretora das moças do J.M.C.

Fazem anos nêste mês de Março:

Dia 02 – Tito Pereira de Campos
Dia 04 – Dionízio R. Lima
Dia 18 – Waldyr Carvalho Luz
Dia 21 – Erasto Pereira
Dia 24 – Epafras Silveira

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Em 05 de Fevereiro p.p, o nosso querido mestre e amigo dr. W. A. Waddell, que faleceu logo depois, completou 77 anos de vida proveitosa

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Visitantes Ilustres

Em companhia de seu filho Carlos, esteve em nosso meio a abnegada missionária D. Edite Moser. Desejamos prosperidade material e espíritual para a escola de Buriti, onde há mais de dez anos a nossa prezada visitante vem cooperando para o bem de nossa pátria.

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Vindo dos Estado Unidos, acompanhado da sua Exa. Esposa, o missionário Rev. Adão Martin deu-nos a honra de sua visita. Agradecemos ao Rev. Adão as palavras de conforto que nos dirigiu por duas vezes.

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Esteve em nosso meio o casal Hinn, recentemente chegado dos Estado Unidos. Desejamos felicidades a este casal que está se dedicando ao estudo da língua portugueza afim de iniciar o trabalho missionário no sertão do nosso Brasil.

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Vindo do Estado da Baía, o Rev. Ricardo Waddell e sua digníssima esposa D. Margarida deram-nos o prazer de sua visita.

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No domingo 26, o Rev. Lenington mais uma vez deu-nos o prevílegio de dirigir o nosso culto. Agradecemos-lhe a mensagem que nos trouxe.

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Retiro

Na terça feira de Carnaval, o Grêmio de Moças “Erasmo Braga” da Igreja Unida realizou em nosso meio um retiro espiritual.

Mas de uma centena de visitantes passaram o dia em reunião fraternal com os manoelinos.

A diretoria do Grêmio organizou um programa de reuniões, onde se ouviram vários oradores, seguido de uma segunda parte de passeios e sociabilidade.

Estamos certos que esta visita foi uma oportunidade para solidificar a nossa amizade com a juventude da paulicéia.

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Assine a IDEALISTA, a revista de moços crentes para moços crentes!

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Eduardo CHAVES
ec@jmc.org.br

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100) MENSAGEM 100

De: Juacy da Silva

Data: 20180717

Assunto: Re: [Manuelinos] Formandos de 1963 do JMC [e etc]

Ola Eduardo, bom dia aqui de Cuiabá, MT e dentro de poucos dias/semanas estarei nos EUA ate final de dezembro, razao pela qual nao poderei estar presente ao encontro de setembro, como gostaria, para rever tantos amigos e amigas.

Ah, ja q vc tem colaborador com publicacao de listas de formandos, que tal publicar a lista dos formando do ginasio e classico de 1962, ano em que terminei meu tempo la no JMC? Fica a sugestao.

Ah, seria bom tambem que fosse colocada uma observacao em cada nome de pessoas que ja faleceram para a gente lembrar delas/deles. Grato, fiquem com Deus.

Eu escrevo semanalmente para uns 12 ou 15 sites, blogs, jornais e revistas, semanalmente, tais artigos, nos ultimos 4 anos “arquivo” no blog artisanal que criei, ja que nao consegui manter um site que funcionou por dois anos.

Quem quiser ler alguns desses artigos basta acessar http://www.professorjuacy.blogspot.com.

Abs Juacy (pinguin, como eu era conhecido nos tempos do JMC  rsss ).

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101) MENSAGEM 101

De: Eduardo Chaves

Data: 20180717

Assunto: Re: [Manuelinos] Formandos de 1963 do JMC [e etc]

Caros Juacy e demais:

Listas de formandos em formato digital só tenho as duas que publiquei (1960 e 1963). Não tenho a dos formandos de 1964. Pode ser que tenha algum outro convite em papel na minha casa (estou fora de casa no momento, na praia, em Ubatuba). O que eu encontrar e for fácil de digitar (não muito longo), eu compartilho. Os textos longos que estou compartilhando já estavam digitados desde a década de 1990, quando eu tinha secretárias que podiam fazer isso. Todo material que tenho foi xerocopiado de coisas que as pessoas me emprestavam. Tenho poucos originais.

Lamento que você não vá estar conosco em Setembro, mas compreendo que viagem para os EUA não é algo de que se possa ou deva abrir mão. Espero que no ano que vem você esteja conosco.

Dei uma olhada meio rápida no seu blog (estou meio sem tempo aqui, com saídas à praia, etc.), mas olharei com mais cuidado mais tarde. Vi que somos dois blogueiros neste grupo. Pelo menos nós dois – pode ser que haja mais alguém.

Hoje de manhã me encontrei com o Eliézer Rizzo de Oliveira na praia aqui em Ubatuba. Tomamos uma água de coco e batemos um bom papo.

Um abraço.

Eduardo CHAVES
ec@jmc.org.br

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102) MENSAGEM 102

De: Eduardo Chaves

Data: 20180717

Assunto: [Manuelinos] Breve Comentário sobre a Revista Idealista Compartilhada

Fiquei verdadeiramente impressionado com a Revista Idealista de 1939 que compartilhei. Aquela revista foi feita por alunos do curso secundário: Colegial Clássico, hoje Ensino Médio.

Encontramos ali artigos, discursos, sermões, relatórios, etc. de gente que foi muito bem sucedida no âmbito da Igreja Presbiteriana e da Igreja Presbiteriana Independente. Por exemplo: os Revs. Adauto Araújo Dourado (que foi meu professor de Homilética no Seminário de Campinas), Waldyr Carvalho Luz (que foi meu professor de Grego no Seminário de Campinas, tradutor das Institutas de Calvino para o Português, autor de uma importante Gramática do Grego do Novo Testamento, autor de um Novo Testamento Interlinear Português-Grego, etc.), Antonio Elias (grande evangelista), Aretino Pereira de Matos (pastor da Catedral Evangélica de São Paulo), José Coelho Ferraz, Rui Anacleto, Francisco Guedelha, Josué França, etc. Tenho certeza de que o sucesso que esses indivíduos alcançaram no seio das duas Igrejas Presbiterianas se deveu, em parte, às experiências que eles puderam ter no JMC, que incluíram liderar a edição da Revista Idealista, a Caravana Evangélica Universitária (C. E. U.) e atuar nas igrejas mesmo antes de ir para o Seminário.

Além da Revista Idealista e da Caravana Evangélica Universitária havia também a Caravana Evangélica Musical – C. E. M., sobre a qual vou colocar alguns materiais daqui alguns dias, o Grêmio Esportivo, o Grêmio Castro Alves, o Grêmio Miguel Torres (que eu tive o privilégio de presidir por um ano), etc.

Eduardo CHAVES
ec@jmc.org.br

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