Mensagens de 20180715 (089 a 094)

089) MENSAGEM 089

De: Patrocínio F. Silva

Data: 20180715

Assunto: Re: [Manuelinos]  Lembranças do JMC pelo Rev. Robert E. Lodwick

Ha momentos que, refletindo tudo que lemos sobre o JOTA, chegamos a pensar o quanto éramos “ignorantes” do papel que nos coube nessa história. Quanto sacrifício, dedicação e esforço desses irmãos estadunidenses. Considero-me neto do Rev. Waddell, pois, foi através do seu filho, Rev. Richard Waddell, missionário no sudoeste da Bahia, que fui parar no Conceição.

God bless him…

Patrocínio

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090) MENSAGEM 090

De: Eduardo Chaves

Data: 20180715

Assunto: [Manuelinos] Os Missionários Americanos na História da Minha Vida

A mensagem do Patrocínio (F. Silva) trouxe à minha consciência de maneira mais focada o papel  em nossa vida de Manuelinos dos missionários americanos que trouxeram para o Brasil o Protestantismo, mais especificamente, no nosso caso, o Presbiterianismo. Temos aqui conosco, nesta lista, o Rev. Olson Pemberton, Jr. com seus quase cem anos, ainda lendo todas as mensagens com atenção, respondendo na lista ou em privado, chamando nossa / minha atenção para detalhes e implicações, chamando outras pessoas a participar da discussão, etc.

O Rev. Pemberton é o último missionário americano no Brasil a ter papel importante na minha vida. Foi Diretor do JMC nos dois primeiros anos que lá passei (1961-1962) e continuou uma presença importante em minha vida, “on and off”, nos 56 anos desde então.

O papel de missionários americanos em minha vida vai, porém, bem mais longe, para trás… Ou seja, eu, como o Patrocínio, também tenho ancestrais importantes nessa linha.

Meu pai, Oscar Chaves, nasceu em 1912, em Patrocínio, MG (coincidência falar nisso respondendo a uma mensagem do Patrocínio F. Silva…). Nasceu no lar católico de Carlos Gonçalves Chaves e Alvina Jacintha de Oliveira Chaves — ambos descendentes de portugueses, quem sabe ele, o meu avô, oriundo de Chaves, cidade no Trás-os-Montes, ao Norte de Portugal, a 10km da divisa da Espanha — cidade que eu vim a conhecer apenas em 2006, mas pela qual me apaixonei. (Se não fosse muito complicado, iria gostar se minhas cinzas um dia fossem espalhadas, de cima da Ponte Romana (construída no século I), sobre o Rio Tâmega, que cruza a cidade).

Meu pai foi Congregado Mariano, mas se desencantou com a Igreja Católica, por motivos que não conheço muito bem, mas que, provavelmente, têm que ver com seu descobrimento do Massacre de São Bartolomeu, na França, mas especialmente em Paris, em 24 de Agosto de 1572. A Igreja Católica passou a ser detestada pelo meu pai a partir do momento em que ele descobriu o que ela fez com os protestantes (“huguenotes”) franceses.

Desencantado da Igreja Católica, meu pai explorou por um tempinho, o Espiritismo de Allan Kardec, mas, finalmente, achou sua casa no Presbiterianismo, em 1932, quando tinha dezenove anos, pela mão de um missionário americano a quem devo meu nome: Rev. Eduardo Epes Lane. Também deve seu nome a ele o Instituto Bíblico Eduardo Lane (IBEL), de Patrocínio, onde hoje trabalha uma neta do Rev. Eduardo, Mary Lane, minha amiga.

Convertido ao Presbiterianismo, meu pai, naquele fervor de neófito, quis logo ir (vir) estudar para ser pastor, mas o Rev. Eduardo o segurou, para ter certeza de que ele, o meu pai, tinha certeza do que estava querendo, já que havia passado meio rápido do Catolicismo e pelo Espiritismo. Mas ao final de 1933 o Rev. Eduardo deixou que meu pai viesse para o JMC, e para tanto tomou as devidas providências. Meu pai veio, no início de 1934, e ficou no JMC por cinco anos, até 1938. Em outro momento compartilho aqui um misto de autobiografia e biografia (neste caso escrita por mim) do meu pai.

Quando me tornei professor de História da Igreja na Faculdade de Teologia da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil (FATIPI), em São Paulo, no ano de 2014, fui estudar melhor a História do Protestantismo Brasileiro, com atenção maior ao Presbiterianismo.

Fiquei ciente e consciente de que o Presbiterianismo Brasileiro tem, na verdade, duas vertentes. Ashbel Green Simonton veio para o Brasil em 1859, às vésperas do início da Guerra Civil nos Estados Unidos, enviado pela chamada Igreja Presbiteriana do Norte — pois nos anos que antecederam a Guerra Civil, e pelas mesmas razões que ela veio a acontecer, a Igreja Presbiteriana dos EUA havia se dividido em duas, a do Norte e a do Sul.

Simonton, acompanhado de seu cunhado Alexander Latimer Blackford, veio para o Rio de Janeiro, onde fundaram a Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro em 1862. Mas Blackford foi enviado por Simonton para São Paulo, onde fundou, em 1865, a Igreja Presbiteriana de São Paulo — a primeira igreja evangélica da cidade de São Paulo, pelo que consta. Em 1903, com a divisão da Igreja Presbiteriana brasileira, esta igreja, que era pastoreada na época pelo Rev. Eduardo Carlos Pereira, líder do movimento de cisão, ficou com os Independentes, e é hoje a Primeira Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo, conhecida como a Catedral Evangélica de São Paulo, na Rua Nestor Pestana 136-152, na Consolação. Nosso colega Elizeu Rodrigues Cremm foi pastor dessa igreja por mais de 30 anos, se não me engano, sendo hoje um de seus pastores jubilados. Ele pode, qualquer hora, contar a história do envolvimento histórico da Catedral na vida do JMC e da Associação dos Ex-Alunos do JMC, que, o mais das vezes, realizaram suas reuniões nas dependências dela.

Finda a Guerra Civil americana, em 1865, a Igreja Presbiteriana do Sul, que tinha muitos ex-membros já no Brasil, que fugiram para cá quando viram que a guerra viria, radicando-se em Santa Bárbara d’Oeste, e, depois, fundando Americana, perto de Campinas, resolveu enviar seus missionários para o Brasil — e os enviou para Campinas. Um deles foi o Rev. Edward Lane, pai do Rev. Eduardo Epes Lane, que com seu companheiro, Rev, George N. Morton, fundou o Colégio Internacional de Campinas, que, posteriormente, foi removido para Lavras, quando um surto de febre amarela apareceu em Campinas e ameaçava os alunos do Colégio.

Foi nas dependências desse Colégio Americano, então abandonadas, que o Seminário Presbiteriano do Sul foi, no devido tempo, depois de algumas idas e vindas, instalado em Campinas em Fevereiro de 1907. Foi lá que o meu pai estudou, de 1939 a 1941, na esquina da Rua Uruguaiana com a Rua Doutor Quirino. Foi lá que ele conheceu minha mãe. E ele, que já havia sido convertido pela mão do Rev. Eduardo Epes Lane, acabou vindo estudar no Seminário instalado num prédio que havia sido construído pelo pai do Rev. Eduardo Epes Lane, o Rev. Edward Lane.

As instalações do Seminário de Campinas atuais, na Avenida Brasil 1.200, foram construídas em grande terreno doado à Igreja Presbiteriana do Brasil pelo Rev. Eduardo Epes Lane, cuja residência ficava na Avenida Brasil 800, alguns metros abaixo. Logo, eu vim a estudar no mesmo seminário em que meu pai estudou, só que em novas instalações, mas estas também foram tornadas possíveis por um missionário americano, filho daquele que houvera construído as instalações do Seminário em que meu pai estudou.

Tem mais. No Seminário de Campinas, em 1966, no auge da crise que assolou a igreja, a Igreja Presbiteriana do Brasil removeu o então reitor, Rev. Júlio de Andrade Ferreira — e quem eles colocaram como Reitor? O Dr. Eduardo Lane (vamos chama-lo de III), filho do Rev. Eduardo Epes Lane (o Eduardo Lane II). Foi um papel ingrato, mas o Dr. Eduardo Lane, que era médico e presbítero da Igreja Presbiteriana do Jardim Guanabara, que funcionava no Seminário, não se furtou de assumir a Reitoria do Seminário, com sérios prejuízos para sua vida profissional, para tentar salvar um pouco do que o furacão representado pelo Rev. Boanerges Ribeiro estava destruindo.

Oportunamente, em 1974, quando vim trabalhar na UNICAMP, tornei-me colega do Dr. Eduardo Lane III, que trabalhava na Faculdade de Medicina, com seu irmão mais novo, John Cook Lane, enquanto eu trabalhava na Faculdade de Educação.

Eduardo Lane III já moreu. Agora, sou amigo de dois dos vários filhos dele, a Mary Lane, já mencionada, e o William Lacey “Billy” Lane, que foi diretor da Faculdade de Teologia Sul-Americana de Londrina até há pouco tempo atrás. Consta que ele virá trabalhar no Seminário Presbiteriano de Campinas na sequência — sendo a quarta geração dos Lanes a se envolver, de uma forma ou de outra, com aquela instituição.

Como disse, meu nome foi escolhido por meu pai em homenagem ao Rev. Eduardo Lane (II). Minha mãe sugeriu que ele acoplasse o nome dele ao do seu querido pastor e mentor, e eu virei Eduardo Oscar.

Quando eu nasci, recebi vários cartõezinhos e presentes de missionários americanos: Rev. Eduardo e Dona Mary Lane, Rev. Alva Hardie, Katie Hardie, Miss Frances, etc.

Não sou daqueles deterministas que acreditam que nossa história é nosso destino. Apesar de presbiteriano, não sou predestinacionista no sentido calvinista, muito menos no sentido pós-calvinista. Mas acho que nossa história tem um papel importante em nossa vida. Por isso escrevi o artigo “Identidade e Memória”, que está incluído em uma das mensagens desta lista.

Enfim, muita conversa para confirmar a tese do Patrocínio, de que, em geral, ignoramos, inconscientemente ou não, o papel dos missionários americanos em nossa história, e, por conseguinte, em nossa vida e em nossa identidade. À semelhança do que ele, Patrocínio, fez, sinto-me filho do meu pai, naturalmente, mas neto do Rev. Eduardo Lane II e bisneto do Rev. Edward Lane (o Eduardo Lane I, original, que veio para o Brasil em 1870, e que fundou a Igreja Presbiteriana de Campinas, que é hoje, a Igreja Presbiteriana Independente de Campinas. A Igreja original de São Paulo virou Independente, a Igreja original de Campinas virou Independente — assim, eu também virei Independente, em 2010, depois de um Exílio de quase 40 Anos fora da Igreja — a minha peregrinação no deserto… Mas nem por isso reneguei o valor do trabalho dos missionários americanos.

Conheci pessoalmente a segunda geração dos Lanes, fui amigo e colega da terceira, e sou amigo, atualmente da quarta (através da Mary e do Billy Lane). Mas a quarta geração dos Lanes também tem um Eduardo Lane, o IV, e ele tem um filho, que é Eduardo Lane V e este tem um filho que é Eduardo Lane Vi… A Mary Lane conta essa história num livrinho que ela publicou recentemente (já neste ano de 2018) pelo IBEL, e que vale a pena ler… Mas os Eduardo Lane IV, V e VI eu, infelizmente, não conheço.

Eduardo Chaves
ec@jmc.org.br

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091) MENSAGEM 091

De: Eduardo Chaves

Date: 20180715

Assunto: [Manuelinos] Lembranças do JMC por Loyde Amália Faustini

No Tempo do Conceição

Loyde Amália Faustini

O site do JMC despertou em mim a memória adormecida dos meus longínquos tempos de Conceição. Ao rever algumas fotos dessa época, novas lembranças surgiram em minha mente e, não resisti em externa-las. Tudo o que parecia apagado, começou a reaparecer, reviver e a ressurgir como se um livro começasse a ser lido.

Não, quem passou pelo Conceição, não se esquece das experiências lá vividas! Era um colégio único, diferente e jamais teremos outro igual. Fui aluna do Jota no ano de 1945. Tinha terminado o curso ginasial em escola do estado, na cidade de Pirajui, SP e, influenciada pela Martha, minha irmã, que estudara no Conceição alguns anos antes, fui para lá, onde matriculei-me  no 1º ano colegial. Muito jovem ainda e, pela primeira vez fora de casa, esse ano de estudos valeu pelas grandes e marcantes experiências  em minha vida.  Escola, ou melhor, educação de tempo integral, onde, além das aulas formais, aprendia-se a assumir responsabilidades, a cantar e a apreciar a boa música coral, a conhecer a bíblia, a praticar algum esporte, a conviver com regras baseadas na confiança e não na imposição e vigilância.

A rotina diária começava com o café da manhã na casa das moças e a corrida para as aulas que se iniciavam às 7 e meia e iam até às 10 e meia. A seguir, o culto diário e, depois, o almoço no refeitório, com todos os alunos. A tarde, em geral, era dedicada aos estudos, preparação de trabalhos, ensaios, esportes. O jantar também era feito na casa das moças. Havia uma escala e, em pequenos grupos, éramos encarregadas de prepara-lo. Pelo menos duas de nós deveríamos buscar enormes tigelas de feijão no refeitório da escola para complementar a refeição. À noite, reuniões, estudos, leituras, até o horário do apagar das luzes do colégio.Além de aprender a cozinhar em imensas panelas, tínhamos que lavar nossa própria roupa às margens do jordãozinho, coisas inusitadas para mim.

Aos sábados à noite, tínhamos reuniões alternadas dos grêmios Miguel Torres e Castro Alves. Aos domingos havia escola dominical e culto para os alunos que não tivessem outros compromissos com igrejas.

No culto diário, após as aulas, encontrávamos o diretor ou professores, missionários, visitantes ilustres que ocupavam o púlpito. Era também a oportunidade usada por d. Evelina, para treinar os muitos alunos-organistas que, muitas vezes tremendo, preparavam-se para o ofício.

Tive como “véias” a Silvia Magalhães Lima e a Adélia Rosa do Vale, duas grandes amigas. Foram meus colegas de classe os futuros pastores Elizeu Vieira Gonçalves, Egidio Costa, Lino Medeiros, Rubem Alberto, Adílio Gomes, Alcides de Matos, Palmiro Andrade e Darcy Amaral Camargo, além da Adélia. Tive aulas com o Rev, Renato, Rev. João Euclides, Rev. Buonaducci, prof. Dario. Fui aluna, ainda, de Mr. Harper (inglês) e d. Evelina (música), aulas que assistia na 4ª série.Tive um grande impacto quando, pela primeira vez, fiz provas sem a presença de professores. Esse fato marcou muito o resto de minha vida estudantil, coisa impensável em outra escola qualquer. A monotonia das aulas de história, associada ao livro de texto História Universal, de Oliveira Lima, que nada tinha de didático, fizeram-me apagar, por completo da memória, o conteúdo do que deveria ter sido aprendido. De Bello Galico, com comentários em inglês, para as aulas de latim, deixava-me confusa. Aulas de espanhol para quem só sabe portunhol, até que foi aproveitável. E o “princípio da isostasia,” por alguma razão, ainda me recordo da explicação do professor. Tudo, afinal deve ter contribuído, de alguma forma, para a minha formação futura…

As reuniões dos grêmios eram bem variadas.A recepção aos calouros que o Castro Alves promoveu naquele ano foi bastante simpática e muito ajudou na rápida integração com os colegas veteranos. Nós, novatos, ficávamos “na berlinda” nas brincadeiras, para a alegria dos demais alunos. Numa delas, tivemos que fazer uma longa lista de ações, lugares etc. Depois, ao ser lido um questionário, essas listas formavam frases e criavam as mais divertidas situações para a diversão dos presentes. Em outras reuniões, lembro-me de ouvir o José Costa declamar, com toda a emoção e entusiasmo, o Navio Negreiros, de Castro Alves. Parece-me ouvi-lo: “Estamos em alto mar…”. Nesse ano, conforme uma foto disponível, a diretoria eleita do Grêmio Castro Alves éramos o Carlos Monteiro (presidente), Violeta Graham e eu.

Após as reuniões dos grêmios, íamos todos para a refeitório, para um chazinho ou café e brincadeiras de salão. Qual o manuelino que não participou do “Há um macaco na roda….”, “Minha direita está vaga…” ? Quantos namoros, declarações de amor aconteceram nesse ambiente, como também no convívio diário? Os correios amorosos eram sempre colegas mais chegados ou livros que serviam para a troca de correspondência, dentro dos quais sempre havia um bilhete, uma cartinha especial…

Certo dia, as moças foram avisadas pela diretora da casa, d. Nena, que Mr. Harper viria conversar conosco, logo após o jantar. Foi um alvoroço geral, já que isso não era comum acontecer. Na hora marcada, lá apareceu o diretor que, muito solene e com grande tato, passou o seu recado, aconselhando as moças a não namorarem durante o curso porque, na certa, não haveria futuro para esse relacionamento pois, dentro em pouco, cada um voltaria para seus lares e para suas atividades. Para enfatizar, disse mais ou menos o seguinte: “O namoro aqui é como um cogumelo  à beira do rio, cresce logo, mas, dura muito pouco.” Por muito tempo, esse “discurso” foi motivo de muita risada entre as moças.

Quanto pernilongo havia por lá nessa época! Ao anoitecer, enquanto conversávamos ao ar livre, nuvens desses insetos cobriam nossas cabeças, com seu zumbido impertinente e picadas indesejadas! Era impossível dormir sem ter, cada um o seu próprio mosqueteiro.

Diversas comemorações marcavam a vida do Colégio. Uma era o Dia doConceição, cujo programa era preparado com esmero e os alunos eram escalados para diferentes tarefas. Nessa ocasião, a memória dos fundadores era relembrada. Aprendíamos a cantar o Hino do Conceição. Muitos ex-alunos compareciam e participavam das atividades.As igrejas de São Paulo e de cidades vizinhas também costumavam visitar amigos e participar desses eventos festivos.. De manhã havia culto especial, programas musicais; à tarde, piqueniques, competições esportivas e sociabilidade. Barracas eram armadas para a venda, pelos alunos, de lanches para os visitantes. Uma outra era o Dia daComunidade. Era o dia da faxina geral da escola e da limpeza especial dos quartos.O colégio parecia transformar-se em um formigueiro humano. Tudo saia do lugar e o almoço era servido em filas indianas, fora do refeitório. No final da tarde,depois de tanta labuta, vinha a recompensa tão desejada: permissão para visitar os alojamentos de todos os alunos do Colégio, para conferir a limpeza feita e premiar os mais esforçados. Era uma verdadeira diversão através de um trabalho altamente motivado.

De modo especial, dois fatos ficaram gravados em minha memória. O primeiro foi um piquenique promovido pela própria direção da escola e realizado em Cotia. Para lá todos os alunos se moveram e passamos um dia alegre com jogos, brincadeiras, disputas e passeios. O dia seguinte era o dia da Páscoa e Mr. Harper havia convidado todos os alunos para participarem de um culto, às 6 horas da manhã, junto à figueira. Aconteceu que a freqüência foi bem abaixo do esperado. Logo descobriu-se o motivo: alguma comida servida no dia anterior tinha feito mal para muita gente que teve que se levantar durante a noite e não conseguiu chegar até lá.O segundo fato foi a eleição da primeira rainha do Conceição. O grêmio resolveu fazer uma campanha para levantar fundos para a compra de livros e ampliação da biblioteca e o meio utilizado foi a venda de votos para essa eleição. Para minha surpresa, fui a eleita! A coroação se deu em uma reunião festiva do grêmio, sendo a rainha introduzida solenemente pelo diretor, com discurso e tudo o mais. Não sei se houve repetição desse fato, posteriormente…

Um dos grandes privilégios que tive enquanto aluna foi participar da CaravanaEvangélica Musicaldirigida por d. Evelina que, nesse ano realizava a sua sexta viagem. Que emoção senti ao ser convidada para sacrificar minhas férias de junho para viajar com a Caravana, já tão famosa! O grupo compunha-se de 11 moças e 13 rapazes. Viajamos de trem, de ônibus e, boa parte, de caminhão. Nem sentíamos o desconforto da viagem pois, como sempre, o grupo era muito bem recebido pelas igrejas hospedeiras. Visitamos algumas igrejas da Capital e, depois fomos para Campinas, Ribeirão Preto (SP), Uberaba, Uberlândia, Araguari (MG), Anápolis, Goiania e Rio Verde (GO). Ainda nem se cogitava de Brasília. Cantávamos nas igrejas das cidades, em praças públicas, em estações ferroviárias, em rádios e em hospitais. Numa dessas cidades, a Carmem Vilá ficou doente e teve que ser internada em hospital e só voltou ao colégio depois de recuperada. Em Anápolis conhecemos o Hospital Evangélico e o trabalho do Dr. Fanstone, então seu diretor. Goiania, cidade planejada, apenas mostrava o início de seu crescimento futuro.Em Rio Verde conhecemos Dr. Gordon e d. Helena, missionários radicados na cidade que ali fundaram e deixaram um hospital e uma escola de enfermagem. A Maurita incorporou-se à Caravana para vir estudar no Conceição. Dali em diante, a viagem prosseguiu de caminhão, com diversos sacos de arroz doados, servindo de assentos aos caravanistas. Lembro-me de que, depois disso, no colégio, por muitos dias comíamos arroz precisando separar a grande quantidade de carunchos que os cozinheiros não davam conta de limpar…

Muitos hinos fazem-me lembrar de d. Evelina e de seu carisma  diante do coro, ao rege-los. Na verdade, são músicas e hinos que, ainda hoje, ligam todos os manuelinos como se fossem uma só família. Dentre eles, a Bênção Aaraônica, de Peter Lutkin,  o Aleluia, de Handel e o Elevo os meus olhos, de Mendelsshon que, até hoje canto decór, fazem-me sentir a presença marcante de D. Evelina à frente do coro.

Em 1950 voltei ao Conceição para dar aulas de Música e de História do Brasil, para a 4ª série ginasial. Estava ensaiando minha carreira no magistério e essa experiência muito me ajudou nessa profissão. Alunos desse época: Sergio Paulo Freddi, Josias de Almeida, Takashi Shimizu, Soroku…. E., muitas vezes ainda voltei por lá. Depois que o João, meu irmão, foi para o Jota e, aos poucos, começou a assumir, tanto a Caravana Evangélica Musical, como o Departamento de Música do Colégio, tinha sempre motivos para lá voltar. Outras caravanas musicais, dias do Conceição, aulas de canto, seminários de música e até os preparativos para uma viagem frustrada aos Estados Unidos. Mas, sei que se agora quiser voltar lá outra vez, lamentavelmente, nunca mais encontrarei aquele querido Colégio de todos nós.

Loyde Amália Faustini

Janeiro de 1998

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Eduardo CHAVES
ec@jmc.org.br

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092) MENSAGEM 092

De: Patrocínio F. Silva

Data: 20180715

Assunto: RE: [Manuelinos] Os Missionários Americanos na História da Minha Vida

Quanto instigante essa história dos Eduardos Lanes, incluido nela, o nosso Eduardo, brasileiramente falando. Na minha família e na região da Bahia onde nasci, surgiram vários Ricardos, em homenagem ao missionário que mencionei, filho de William Alfred Waddell, o patriarca. A história do Rev. Waddell é longa e conhecida pela maioria dos manuelinos, mas, muitos não sabem que foi na Bahia o seu “QG” de atuação missionária: Colégio Ponte Nova, Dois de Julho, Oliveira Magalhães,  etc  etc. Junto a êle trabalhavam missionários médicos, enfermeiras e evangelistas, que, com seus aviãozinhos Teco Teco faziam milagres.

Patrocinio

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093) MENSAGEM 093

De: Elke Cremm

Data: 20180715

Assunto: RE [Manuelinos] Lembranças do JMC por Loyde Amália Faustini

Adorei conhecer mais um pouquinho da história do Jota

Elke

Enviado do meu iPhone

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094) MENSAGEM 094

De: Getúlio Rosa da Guia

Data: 20180715

Assunto: RE [Manuelinos] Lembranças do JMC por Loyde Amália Faustini

Apreciei muito ler essas memórias do Conceição. Conceição eu me lembro muito bem, e agora eu daria um milhão para ser Conceição outra vez.

Muito grato.

Getúlio.

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