Mensagens de 20180714 (084 a 088)

084) MENSAGEM 084

De: Eduardo Chaves

Data: 20180714

Assunto: [Manuelinos] Termo de Abertura do Curso Universitário José Manuel da Conceição

[Este documento já foi distribuído aqui como componente de um dos Boletins (o primeiro). Merece um compartilhamento à parte, pela sua importância. Além disso, havia alguns erros no texto anteriormente distribuído. Registre-se que, embora o documento passe como “Termo de Abertura do Curso Universitário José Manuel da Conceição”, seu conteúdo cobre os dois primeiros anos de funcionamento do curso (1928-1929) e os dois últimos parágrafos do texto são evidentemente apócrifos, posto que totalmente anacrônicos – EC]

Termo de Abertura do “Instituto JMC”

No dia 8 de fevereiro de 1928 reuniram-se no salão nobre do Acampamento do Mackenzie College, sito no kil. 32 da E.[strada de] F.[erro] Sorocabana, o Rev. Dr. W.[illiam] A.[lfred] Waddell, Rev. e Snra. C.[harles] R.[oy] Harper, Rev. R. F. Lenington e os Snrs. Erencio Victorino, Eduardo Pereira de Magalhães e Tuffy Elias, para a abertura das aulas do Curso Universitário “José Manuel da Conceição”.

Foi cantado o hymno nº 26, dos “Psalmos e Hymnos”, um dos hymnos predilectos do fallecido Rev. José Manuel da Conceição.

O Dr. Waddell relembrou a ocasião em 7 de fevereiro de 1891, quando se reuniram na casa nº 1 da antiga rua S. José, hoje Líbero Badaró, o Rev. e Snra. G. W. Chamberlain, e, com 3 creanças, um menino branco, nº 1 da matrícula, depois o Rev. Álvaro Reis, uma menina branca e um menino preto, organisaram a Escola Americana de São Paulo.

Também a ocasião, no dia 8 de março de 1891, quando na sala do Rev. G. W. Chamberlain, na Rua Consolação em São Paulo, elle, Dr. Waddell, organisou o Mackenzie College, com três matriculados.

O Dr. Waddell passou a ler as passagens da Bíblia que foram lidas nas duas ocasiões supramencionadas, Ps. 121.1-8; 125.1-2; 127.1 e S. Matheus 7.24-27.

Foi feita oração pelo Rev. R. F. Lenington.

Pelo Rev. Dr. Waddell foi feito o histórico da conversão e o trabalho do Rev. José Manuel da Conceição, o primeiro Brazileiro ordenado no Brazil; sua pregação desde o Rio de Janeiro até a cidade de Ponta Grossa no Paraná; suas viagens a pé, evangelisando bairros, vielas e cidades, e da influencia que assim teve sobre a egreja nascente, fazendo della uma egreja essencialmente missionária. Portanto nada mais proprio do que dar o nome desse pioneiro da evangelisação a este Curso Universitário, cujo fito é o melhor preparo dos futuros evangelisadores da Pátria Brazileira.

Passou-se então a matrícula definitiva dos estudantes, na ordem de sua chegada ao estabelecimento, e foram declaradas abertas as aulas. Foi feita a seguinte distribuição provisória das materias do curso: Dr. Waddell: Philosophia e Mathematica; Rev. C. R. Harper: Grego e Sciencias; Rev. Lenington e Dr. Motta Sobrinho: Latim e Portuguez; Mrs. Harper: Inglez e Musica.

No dia 13 de abril de 1928 o Curso foi honrado com a visita dos Revs. Alfredo Teixeira e Epaminondas, professores da Faculdade de Theologia da Egreja Presbyteriana Independente em São Paulo.

No dia 20 de abril de 1928 recebeu também a honrosa visita do Rev. Salomão Ferraz, pastor da Egreja Episcopal em São Paulo.

No dia 20 de junho de 1928 foi encerrado o primeiro semestre do anno letivo.

No dia 28 de junho foi aberto o segundo semestre do anno letivo de 1928, com 11 matriculados.

No dia 13 de julho de 1928 o Curso teve o prazer de uma visita do Rev. Stanley Jones, missionário-evangelista da Egreja Methodista na India, auctor dos livros célebres “The Christ of the Indian Road” e “The Christ of the Round Table”, e do Rev. Erasmo Braga, Secretário da Commissão Brazileira de Cooperação, sob cujos auspícios o Rev. Jones fez uma viagem de evangelisação à América Latina. Reunidos os estudantes e professores na capella, o Rev. Stanley Jones fez um breve mas altamente instructivo discurso sobre o facto solemne, que se a vida do ministro ou obreiro christão não quadrar com seu ensino, este será em vão.

No dia 3 de agosto de 1928 houve mais uma honrosa visita ao Curso. É que neste dia lá estiveram os Revs. José Carlos Nogueira, Moderador da Assembléia Geral da Egreja Presbyteriana do Brazil; Odilon Moraes, pastor da Egreja Independente do Rio e professor do Seminario Unido naquella capital; Vicente Themudo, redactor da “Semana Evangelica”, órgão official da Egreja Presbyteriana Independente; e Herbert S. Harris, Secretario da “União Brazileira de Escolas Dominicaes”.

1929 – Corpo docente: Dr. W. Waddell: Philosophia, Historia etc.; Rev. Motta Sobrinho — 1º Semestre: Portuguez e Latim; Rev. Alfredo Teixeira e Rev. R. F. Lenington: — 2º Semestre: Portuguez e Latim; Rev. C. R. Harper: Hebraico, Grego, Etica, Physica; Mrs. C. R. Harper: Inglez e Musica; Mrs. W. A. Waddell: Pedagogia.

Uma turma de cinco moços formam-se este anno [1929?], sendo os seguintes: Martinho Rickli, Ednardo Magalhães, Paulo Braga Mury, Adolpho Corrêa e Fernando Nanui.

O Conceição foi, durante mais quatro décadas, a escola e o lar de várias centenas de pessoas, que hoje exercem as mais variadas atividades, gozando da admiração e do respeito dos que os cercam pela probidade e competência herdadas dos dedicados e amáveis professores manuelinos.

Por razões ainda não suficientemente aclaradas, o Instituto José Manuel da Conceição encerrou suas atividades em dezembro de 1969 [Na realidade, 1970 – EC]. Toda a documentação escolar de seus alunos se encontra arquivada na Delegacia de Ensino de Itapevi, SP.

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Eduardo Chaves
ec@jmc.org.br

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085) MENSAGEM 085

De: Dario Pereira Ramos

Data: 20180714

Assunto: RE: [Manuelinos] Termo de Abertura do Curso Universitário José Manuel da Conceição

Informações preciosas, essas garimpadas pelo Eduardo. Na totalidade, um acopio que ficará para sempre, prestando grande apoio a pesquisa…

Dario

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086) MENSAGEM 086

De: Eduardo Chaves

Data: 20180714

Assunto: [Manuelinos] Notas Biográficas sobre o Casal Harper (por Charles Roy & Annabel Harper)

“Quem é Aquela Gente que Vive Cantando?”

(Breves notas biográficas do Casal Roy e Evelina Harper, pelos seus filhos, Charles Roy & Annabel)

Introdução

Nossas primeiras lembranças são as melodias que tomavam conta do nosso pequeno mundo em casa, no JMC. Logo descobrimos que outras pessoas fora de nossa casa – na casa das moças, no outro lado da ponte sobre o Jordão, nos dormitórios e salas de aulas do colégio – sabiam e ensaiavam com zelo aqueles hinos e solfejos. Até o nosso cachorrinho branco Fluffy sentava na varanda e, como se fosse um lobo, uivava em concerto tão logo os primeiros versos de “Ao Deus de Abrão Louvai” jorravam do outro lado do vale. Não nos surpreendemos, portanto, ao descobrir, cinqüenta anos depois, entre centenas de cartas adquiridas recentemente, escritas pelos nossos pais aos seus familiares e amigos, um citação significativa. Com a vantagem de percepção tardia, parece que este parágrafo revela uma forte dimensão do caráter e fé dos nossos pais.

“A música está quase fora de controle, fico feliz em dizê-lo, mesmo que isso crie um enorme problema de como melhor aproveitar todo o entusiasmo existente. Alguns dias atrás, um dos nossos vizinhos em Jandira me contou que uma nova moradora na vizinhança havia parado em sua casa para perguntar, apontando na direção do JMC: “Quem é aquela gente que vive cantando?” [De uma carta escrita por Evelina à sua igreja nos EUA, em 1945.]

Cuiabá / Rosário Oeste

Roy e Evelina eram membros da antiga missão Presbiteriana do Brasil Central (MPBC), pessoa jurídica no Brasil da Igreja Presbiteriana nos Estados Unidos da América. Foi a MPBC que designou o casal para o seu primeiro trabalho, evangelização numa das áreas mais remotas de Mato Grosso, com sede em Cuiabá. Segundo o perfil oficial de carreira, “eles viajaram largamente em lombo de mula, ou sobre estradas primitivas num forde-de-bigode, aprendendo a compreender e falar o português, levando-os a conhecer e amar o povo brasileiro”.

Ao ler as cartas pessoais escritas naqueles anos (1925-1927) aos seus pais e mais intimamente aos seus irmãos e irmãs, manuscritas ou datilografadas na velha Corona com fitas que grudavam no calor escaldante, a gente vislumbra um jovem casal norte-americano, ingênuo, entusiasmado, apaixonado, demonstrando energia e curiosidade sem limites, confiante em sua fé cristã, e sempre produzindo música, ele com pistão e ela com seu harmônio.

Eles se indignavam diante das injustiças sociais, do obscurantismo, da superstição e sujeira que cercavam a prática das parteiras, e dos estragos familiares resultantes do alcoolismo. Tornaram-se testemunhas involuntárias da passagem da Coluna Prestes pelo Mato Grosso a caminho da Bolívia, apresentados assim às realidades políticas e militares geralmente ausentes na orientação inicial dos missionários.

Eles se deleitavam com a criançada da vizinhança e com suas famílias que vinham visitá-los em seus modestos aposentos. Suas cartas descrevem Rosário Oeste como um lugar tão carente de conforto que eles inventaram esquemas para poupar energia e experiências na produção de verduras que seriam de muito valor mais tarde, no JMC, onde todos os alunos se envolviam em programas de auto-ajuda em seus labores intelectuais e manuais, visando à construção de uma apreciação positiva pela dignidade do trabalho com um requisito prévio para liderança na igreja.

Jandira

Esse treinamento soberbo em circunstâncias diferentes no seio de Mato Grosso, preparou o casal Harper para participar, em 1928, numa experiência educacional de auto-ajuda, peculiar para a época: o Instituto José Manoel da Conceição (JMC). O JMC era fora do comum porque dava uma oportunidade e estrutura saudável para que jovens adolescentes protestantes do interior do país, vindos de famílias modestas senão pobres, pudessem se preparar para liderança em suas igrejas: presbiterianos, episcopais, batistas, metodistas e várias outras denominações.

Após os anos iniciais em Mato Grosso, A MPBC transferiu o casal Harper para Jandira, onde se fazia preparativos para a abertura do que se chamava inicialmente “Curso Universitário José Manoel da Conceição”. A primeira proposta para a organização do curso foi feita pelo Dr. William Alfred Waddell à MPBC, reunida em fevereiro de 1925, no Instituto Cristão, em Castro, Paraná, sob a presidência do Rev. Latham Ephraim Wright. A proposta do Dr. Waddell era, em resumo, a seguinte: ele levaria o curso de filosofia para o acampamento do Mackenzie em Jandira; ele se demitiria da presidência do Mackenzie e passaria a receber o salário de missionário [ US$900 por ano para solteiro; US$ 1,800 para casal]; além de si mesmo, ele propunha a contratação de dois professores, um norte-americano e outro brasileiro; ele propunha a aquisição de terreno maior e o trabalho dos estudantes produzindo verduras, cereais, e prestando outros serviços necessários. O curso de quatro anos foi aprovado pela MPBC em dezembro de 1927.

Os primeiros alunos iniciaram as aulas em 8 de fevereiro de 1928. A primeira turma se formou em 1929: Adolfo Machado Correia, Eduardo Pereira de Magalhães, Fernando Nanni, Martinho Rickli e Paulo Braga Mury.

Roy e Evelina trabalharam inicialmente sob a competente liderança do Dr. Waddell, ele lecionando grego, hebraico e as ciências; e ela inglês e música. Ambos contribuíram  eficientemente com seus dons e talentos para a vida do JMC através dos anos, ele pelo treinamento meticuloso nos idiomas bíblicos e nas ciências físicas e sociais, e ela pela criação da Caravana Evangélica Musical (CEM). Por intermédio da CEM, milhares de pessoas em centenas de igrejas e praças públicas ouviram o Evangelho cantado a capela por coros de estudantes do JMC. Um vasto programa de música foi executado na preparação de líderes laicos e ordenados como regentes corais e organistas de igreja. Soma-se a isso tudo a aquisição de Know-how na direção de instituições e congregações da igreja.

Roy foi nomeado diretor do JMC em 1936 e permaneceu neste cargo até 1952, ano em que foi cedido pela MPBC para assumir novas tarefas como tesoureiro do Instituto Mackenzie, entidade fundada por missionários presbiterianos na cidade de São Paulo, em 1870. Durante os nove anos neste posto, Evelina treinava coros para programas de rádio e gravações, e participava na vida litûrgica e musical da igreja. O casal retornou definitivamente aos EUA em 1962 após 35 anos de serviços no Brasil. Roy estava particularmente feliz porque, pela primeira vez desde a fundação do Mackenzie, ele deixava em seu lugar um tesoureiro brasileiro.

Voltando aos EUA, o casal assumiu as mais variadas responsabilidades para interpretar às igrejas norte-americanas as tarefas missionárias no Brasil. Residindo em San Francisco, California, eles puderam receber jovens bolsistas da Ásia. Em 1965, Roy e Evelina se aposentaram em Westminster Gardens, na cidade de Duarte, California, onde continuaram a manter contatos e correspondência com colegas, amigos e estudantes brasileiros. Nessa comunidade de missionários aposentados eles continuaram a prestar serviços administrativos e musicais, sempre cantando…

Edgerton

Charles Roy Harper nasceu em 15 de março de 1895 em Edgerton, uma comunidade rural no estado de Kansas, EUA. Seu pai, Charles Sumner Harper, deu-lhe três dádivas: sua altura (mais de 1m e 90); uma queda pela agricultura e largos horizontes; e um grande respeito pela medicina e a pessoa humana. Todas as três dádivas lhe serviriam abundantemente mais tarde, no JMC: seu entusiasmo e talento na quadra de basquete; uma apreciação pelos benefícios educativos e práticos da horticultura e esquemas de auto-ajuda como parte integrante de programas estudantis; e sua cooperação com o Instituto Butantã, juntamente com estudantes experientes, na captura de numerosas e freqüentemente raras cobras venenosas com a finalidade de produzir soro contra mordidas. De sua mãe, Carrie Erskine Harper, ele ganhou uma profunda apreciação pelos textos bíblicos que lhe eram lidos e ao seu irmão mais velho Meryl desde a tenra idade. Ela também lhe ensinou a se preocupar com os outros. Ele desenvolveu um afinado senso de humor e facilidade em formar amizades com homens e mulheres.  Isso ficou evidente ainda quando marinheiro na marinha dos EUA, com base em São Francisco, na California, e, mais tarde, como farmacêutico e auxiliar de medicina nos navios que transportavam tropas no Oceano Atlântico durante a I Guerra Mundial. Logo após a guerra, Roy matriculou-se num curso universitário em Monmouth College, uma instituição presbiteriana no estado de Illinois. Em 1921 recebeu o grau de bacharel em letras e estudou para o ministério em Princeton Theological Seminary, onde formou-se em 1924. No mesmo ano ele concluía o mestrado em literatura na Universidade de Princeton. Em 1961 ele foi contemplado com um doutorado honoris causa em Monmouth.

Des Moines

Evelina nasceu em Des Moines, no estado de Iowa, EUA, em 15 de março de 1899. Ela vinha de uma grande família de professores, pastores e fazendeiros presbiterianos. Seu pai, Alonzo C. Douglass, era o pastor da igreja local, um pregador com consideráveis  qualidades e liderança impressionante, ele mesmo descendente de outros pastores e fazendeiros que emigravam da Escócia e da Irlanda no século 18. Mais tarde, Alonzo ensinou Teologia Pastoral no Seminário Teológico Xenia, em Pittsburgh, no estado da Pennsylvania. Evelina era mais chegada à sua mãe, Mary Findley Douglass, filha de um casal de Monmouth e dotada de grande curiosidade intelectual. Ela imbuiu Evelina com uma grande paixão pela música por intermédio do coral da cidade; do fiel toca-discos Victrola (um dos discos favoritos era Lakmé de Delibe na voz de Lily Pons); e não perdendo a oportunidade de assistir aos raros concertos de sopranos colatura em algum distante auditório nos estados vizinhos. Mary era uma mulher gentil mas firme. Ela escutava bem. Estes traços ela conseguiu passar para sua filha Evelina. Fisicamente fraca quando menina, Evelina logo aprendeu a se defender na convivência com um vigoroso conjunto de quatro irmãos e uma irmã. Esta característica lhe serviria bem, tanto nas agruras da vida missionária em Mato Grosso quanto nas viagens com a CEM em caminhão aberto pelas estradas poeirentas de Goiás, ou até nos ataques de asma na década de 1940. Sua sensibilidade, tenacidade e visão a prepararam para exercer sua vocação de treinar jovens para glorificar a Deus pela música. Evelina também fez o curso universitário em Monmouth College, onde se formou em 1923, bem como no Monmouth Conservatory of Music, com o gráu de bacharel em artes. Em 1946 fez estudos de pós-graduação em Westminster Choir College, em Princeton, com o seu diretor, Dr. Williamson, e, depois, com o Dr. John kelly na School of Sacred Music de San Francisco Theological Seminary, em San Anselmo, California. Ela casou-se com Roy em 1924 e chegaram ao Brasil em 10 de setembro de 1925, enviados pelo Board of Foreign Missions of the Presbyterian Church in the USA [com sede em Nova York].

Família

Roy e Evelina tiveram dois filhos: Annabel Louise, nascida em Long Beach, California, em 1929; e Charles Roy [Royzinho], nascido em São Paulo, em 1933. Ambos estudariam por dois anos no JMC. Annabel matriculou-se no curso universitário de Maryville College, instituição presbiteriana no estado de Tennessee, e, depois, na University of New Mexico. Casou-se em 1952 com William Swenson, técnico de basquete e vice-diretor do colégio público de Tracy, California. Residem em Tracy há mais de quarenta anos, são membros da Igreja Presbiteriana, e criaram quatro filhos: Robert é formado pela University of California e jogou futebol americano profissional por nove anos no Denver Broncos (filhas Lauren e Kristin); linda é professora de escola primária, residindo e trabalhando em Santiago, Chile, com seu marido Christian (filhos Hans, Susie e Mark); Bill é empreiteiro civil em Tracy, com sua esposa Frances (filho Willie); e Susan, técnica de informática em Denver, com seu marido Michael e filha recém-nascida Hannah.

Royzinho formou-se em Wooster College, no estado de Ohio, em 1954, após o que se preparou para o ministério no San Francisco Theological Seminary, formando-se em 1958. Fez pós-graduação em ciências políticas na University of California, em Los Angeles, onde recebeu o mestrado em 1967. Tinha se casado com Babette Damnholz em Marselha, França, em 1962. O casal trabalhou na Argélia durante três anos em programa de reconstrução patrocinado pela comissão Cristã de Serviço na Argélia. A partir de 1967 passaram a residir em Genebra, Suíça, onde Babette trabalhava com o Instituto de Ação Cultural (IDAC), fundado por Paulo Freire no exílio, e Royzinho como diretor da casa internacional do estudante, conhecida como Foyer John Knox. Desde 1973, ele trabalha no programa de assuntos internacionais e direitos humanos do Conselho Mundial de Igrejas. Eles tiveram dois filhos: Caroline Anne, artista gráfica que reside em Londres, Inglaterra, com seu marido Neil; e Steven Martin que reside no Rio de Janeiro, trabalhando como dançarino profissional, professor e coreógrafo. Sua esposa Beth é de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, e curtem a filha Nina.

O Coqueiro

Recebemos muitas cartas e mensagens escritas por ex colegas e alunos, amigos e familiares de Roy e Evelina quando faleceram (Roy em 1979 e Evelina em 1989, ambos em Westminster Gardens, em Duarte, California). Todas elas foram eloqüentes, lembrando coisas, e comoventes. Elas nos ajudaram a apreciar melhor este casal vibrante que agora vamos com olhos mais esclarecidos. Ao lermos sua correspondência extraordinária, escrita durante vários momentos de transição, podemos começar a compreender os dilemas, as alegrias, as tensões e os triunfos em suas vidas enquanto conviviam com seus amados alunos, colegas professores e vizinhos de Jandira.

Queremos citar, neste final, um estimado amigo e colega, pois o que ele escreveu reflete bem a maneira como Roy e Evelina gostariam de ser lembrados.

[Início da Citação]

“Tu não te lembras da casinha pequenina
onde o nosso amor nasceu?
Tinha um coqueiro ao lado que, coitado,
De saudade, já morreu.

“Você não crê que Deus gostaria de ouvir esse dueto cantado pelo Altão [‘Moço, moço!’] e D. Evelina de vez em quando? Eu creio. Lembro-me sempre do alto e da baixinha (uso as palavras com amor) cantando em nossas reuniões nas noites de Sábado no Jota. Bem-aventurados aqueles que dormem no Senhor, pois as suas obras o seguem. Somos fruto dessa obra. Cante comigo a casinha pequenina, e estaremos homenageando D. Evelina e o velho mestre Roy.”

Gérson Azevedo Meyer

[Fim da Citação]

No encerramento destas breves notas biográficas, convidamos você – como fizemos na carta que escrevemos em 1989 aos amigos dos nossos pais – a confiar que, ao lado da casinha pequenina, um coqueiro florescerá sempre e sempre, fornecendo frutas abundantes e sombra refrescante para muitos.

Quem é aquela gente que vive no céu cantando?…

Rev. Charles Roy Harper Jr.
(Tradução de Rev. Jaime “Jim” Wright)

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Eduardo CHAVES
ec@jmc.org.br

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087) MENSAGEM 087

De: Eduardo Chaves

Data: 20180714

Assuntos: [Manuelinos] Lembranças do JMC pelo Rev. Robert E. Lodwick

Lembranças do JMC pelo Rev. Robert E Lodwick

Primeira Visita ao JMC

Visitamos o Instituto José Manuel da Conceição em nosso primeiro domingo no Brasil: 21 de abril de 1940. O Rev. Philip Landes nos acompanhou do hotel Terminus até a estação da Estrada de Ferro Sorocabana e até a estação de Jandira, no km 29. Os colegas da Missão do Brasil Central eram dois casais: Rev. Charles Roy Harper e Da. Evelina e o casal Jessé e Barbara Wyant. Foi um Domingo alegre. Eu estava com 26 anos de idade e minha esposa, Irene, com 25 anos. Os alunos ao nos verem disseram: “Moços”! O sermão do Rev. Landes naquela manhã explicava o “Fogo Estranho” de Levíticos 10. Apesar de nunca ter estudado português, eu podia entender algo do sermão.

Durante os dias no JMC, em casa dos Wyants, tive contato com os estudantes, que achei muito alegres e simpáticos. Com o Sr. Jessé Wyant assisti e falei em algumas aulas. Preguei no culto que era diário. Usei como base na palestra o versículo 26 do capítulo 30 de Provérbios. A tradução que o Sr. Wyant usou foi a seguinte: “Os querogrilos são povo pequeno, mas fazem suas casas nas rochas”. Era um texto desconhecido dos alunos que acharam graça no termo “querogrilo”. Nos meus 30 anos no Brasil sempre encontrando os pastores e outros que assistiram àquele culto, descobri que eu tinha o apelido de “Querogrilo”.

Naquela primeira visita ao JMC, descobri, em 1940, o que mais tarde, em 1951, quando fui escolhido como diretor do JMC, me ficou mais claro ainda, isto é: “Charles Roy Harper left me big shoes  to fill”. À tarde de segunda-feira, 22 de abril de 1940, fui convidado para jogar basquete com os alunos do Colégio. A nossa bagagem ainda não estava conosco. Tinha ficado no hotel em São Paulo. Mr. Harper ofereceu os seus sapatos “keds” para que eu jogasse com a turma. Foi naquela quadra de chão poeirento perto da cozinha. Joguei com entusiasmo… os manuelinos gritavam: “Mas como o americano pula e encesta!”  No fim, por causa dos “keds” grandes demais pra mim fiquei com bolhas enormes nos dois pés… e as bolhas, cheias de terra. No dia seguinte, quase não podia andar… fiquei com os pés pro alto… foi cancelada a programação de visita ao Seminário de Campinas. Sararam as bolhas… e, no tempo combinado, Irene e eu seguimos para o Instituto Gammon, em Lavras, MG, onde ficamos por um ano estudando português, com os  excelentes professores Rev. Francisco Alves e Augusto Gotardelo.

Chegando em nosso primeiro campo de trabalho no sudoeste de Goiás, logo soubemos mais do JMC pelos alunos Severino Gomes e Eudóxio Mendes dos Santos (os dois se tornaram excepcionais pastores, voltando ao sudoeste servindo a vida inteira nos campos de Mineiros e Rio Verde).

De Goiás até o JMC

A reunião da comissão executiva da Missão foi realizada em Rio Verde (GO), em julho de 1950. Não pude assisti-la, pois estava bastante ocupado com o trabalho na região sudoeste do Estado. O casal Graham estava fora em “furlough” (licença) nos Estados Unidos. Além do serviço do campo, eu também dirigia a Escola Evangélica de Jataí, na ausência dos Grahams. Isto não exigia tanta presença, porém mais supervisão e cuidado com as finanças, pois a competente e dedicada Ambrosina Lima (ex-aluna do JMC) era a superintendente e professora da escola. Não podendo ir até Rio Verde, recebemos alguns visitantes no Domingo, vindos da reunião. Um desses foi o Rev. Charles Roy Harper. Ele não somente ajudou nos cultos e na escola dominical na sede em Jataí como também me acompanhou a pé até uma chácara, distante uma légua da cidade. Foi nesse encontro, que fiquei sabendo que, por causa da asma de Da. Evelina, os Harpers pensavam em ir para os Estados Unidos no final daquele ano, para férias e tratamento dela. De leve, Mr. Harper falou que eu seria indicado para o cargo de diretor do JMC. Não levei isso a sério, pois estava muito contente no sudoeste de Goiás, vendo um bom crescimento nas congregações do campo. Além disso, em outubro de 1950, completaríamos cinco anos no Brasil, merecendo um ano de “furlough” nos Estados Unidos.

Em dezembro, recebi o convite para mudar para o JMC como diretor. Um dos motivos do convite incluía o fato de que nosso campo do sudoeste de Goiás estava com o maior número de alunos no Jota do que qualquer outra área do país. Com os recém-formados e outros, a lista incluía Eudóxio Mendes dos Santos, Severino Gomes Monteiro, Nilson Ferreira, Sinval Cabral de Souza, Roberto Bueno, Luiz Leão, Daily França, Rute Moura, Carlos Araújo, Josefina Franco, José Inocêncio de Lima, Francisco (Chico) Souza, Terso Aguiar de Souza e Ambrosina Lima.

Aceitei o convite principalmente por uma razão : a saúde de minha esposa, Irene. Ela se achava muito esgotada com o  cuidado dos quatro filhos: Robert, Weldon, Mary e Irene. Mary e Irene nasceram com 15 meses de intervalo (not good family planning). O vasto campo, as congregações e igrejas crescendo, exigiram mais e mais viagens para atendê-los, apesar de que já contávamos, desde 1947, com um jeep. Os dias fora de casa aumentaram os problemas para Irene no zelo do lar. No Jota, eu poderia estar em casa, pelo menos à noite.

No fim de dezembro, rumamos para São Paulo no jeep. Era tempo de chuvas pesadas. Ficamos para despedidas no campo com cultos em Rio Verde, Santa Helena, Mateira em route. Em Mateira, à beira do Rio Paranaíba, choveu tanto que tivemos de desistir de atravessar até São Paulo, pelo Triângulo Mineiro, via Barretos, e fomos por Quirinópolis, Bom Jesus e Santa Rita do Paranaíba. No trecho antes de Bom Jesus, quase aconteceu um desastre. No banco da frente do jeep estavam Irene, Robertinho e Ireninha. Weldon cuidava de Mary no banco traseiro. A chuva havia parado um pouco, e o jeep estava completamente aberto. Weldon e Mary conversavam e cantavam. Mas, de repente, notei um silêncio. Olhei para o banco de trás e vi Weldon dormindo, mas nada de Mary. Parei o jeep e observei que Mary estava a uns 300 metros correndo atrás de nós. Ela havia caído na estrada. Felizmente, a chuva molhou a terra da estrada. Mary  estava suja de lama e um pouco sem fôlego, mas aparentemente sem ferimentos. Poderia ter sido muito pior. Anos depois, quando Mary começou a perder a audição do ouvido direito, pensávamos que isto podia ter sidouma seqüela da queda naquela estrada de Goiás.

As aulas no JMC começariam logo. Eu tivera alguma experiência com administração no Seminário em Chicago e com o ensino nas igrejas, mas nenhuma experiência formal para esta nova tarefa. Tinha confiança, nos meus 36 anos, de que podia aprender com o auxílio de Deus a vencer todos os obstáculos, no serviço dele. Assim, enfrentei o novo programa no Colégio. Era necessário conhecer os professores e fazer a escala de aulas. A secretária, também começando, era a Da. Zulmira Silva. Da. Nina que trabalhava com o diretor Harper, deixou o JMC para servir como sua secretária no Mackenzie.

Verifiquei que tínhamos ótimos professores, tradição do Colégio desde o início com Waddell, Harper, Themudo Lessa, Henrique Maurer e outros. O Rev. João Euclydes Pereira foi vice-diretor e ensinou aulas de História e Filosofia; Dario Batos, Ciências; Rev. Fernando Buonaduce, Latim; Da. Elza Telles, Francês e Português; Rev. Renato Finza Telles, Química. Uma novidade para as moças foi o curso de Escola Bíblica para leigas. Além de ser diretor, lecionei as seguintes matérias: Bíblia, História da Igreja, Grego e Inglês; e, pura alegria, treinava e jogava basquete.

Jogando Basquete

O time de basquete jogava naquela mesma quadra de terra que conheci em 1940: menor do que um campo oficial e com as cestas, tabelas e aros longe das melhores condições. Com  os moços do clube de esportes, iniciamos as melhorias, com planos de cimentar o piso, colocar novas tabelas e cestas, aumentar o tamanho da quadra e fazer uma bancada de cimento do lado inclinado. Com muito esforço e tantas horas de trabalho na lama, com chuva e com sol, a quadra ficou pronta. O motorista do caminhão do Colégio, Sr. Américo, ajudou bastante, arranjando a compra do cimento e transportando-o até o local. O presidente da Esportiva, Abimael Etz Rodrigues, presidiu a inauguração da quadra e, para surpresa minha, descerrou uma placa com o meu nome ali escrito. Que benção e que alegria!

Em todos os anos que trabalhei no Jota continuei a treinar o time de basquete e muitas vezes joguei com os alunos. A quadra foi iluminada mais tarde e servia para as festas e brincadeiras dos alunos, em especial na festa do Dia do Conceição.

Alguns alunos que nunca haviam jogado basquete se tornaram excelentes jogadores. Entre estes outros que chegaram com experiência, posso dizer os nomes de uns, com o risco de esquecer de muitos outros: Takashi Shimizu, Jonatas do Vale Moreira, Celso Loula, Joás Araújo, Oswaldo e Wilson Duraes (estes dois de Salinas, MG), Manoel Araújo, de Rio Verde (GO), Carlito (de Santa Helena de Goiás), Eládio, Isaias Gadoni, Luiz Leso.

De 1950 em Diante

O ano letivo de 1951 correu mais ou menos bem. Houve problemas gerais, incluindo os financeiros. Gostei de lecionar. A maioria dos alunos comportou-se bem. Os exames seguiram com o costumeiro sistema de honra, isto é, o professor confiava na honestidade dos alunos dispensando a vigilância do professor.

A saúde de minha esposa não melhorou, causando dificuldades e fazendo absolutamente necessária a volta aos Estados Unidos em “furlough” para tratamento.

A vida espiritual dos alunos e professores ocupava lugar importante nos programas elaborados. Durante todos os anos em que servi como diretor, tivemos a semana especial de trabalhos espirituais com grandes líderes da Igreja como pregadores e dirigindo aulas. Entre os convidados que prestaram valiosa cooperação menciono o Rev. Miguel Rizzo, Rev. José Borges dos Santos Jr., Rev. Oswaldo Emerique e Rev. Philip Landes. Achamos de muito proveito essa ênfase especial.

Procuramos cobrir despesas do Colégio com participação das organizações com representantes do Conselho Deliberativo: Igreja Presbiteriana do Brasil, Igreja Presbiteriana Independente do Brasil, Missão Presbiteriana Central e Missão Oeste do Brasil. Estas entidades forneciam a terça parte do orçamento, os alunos próprios ou seus presbitérios, ou igrejas, ou famílias contribuíam com outra terça parte das despesas do Jota; e foi a campanha anual para levantar dinheiro com amigos, igrejas e pessoas generosas, especialmente em São Paulo, que completou o total necessário para que o Colégio podesse funcionar. Andei, andei e andei em São Paulo batendo em portas para receber doações. Acho que foi a minha tarefa mais difícil como diretor! Lembro-me bem de uma experiência durante uma campanha. O Rev. Borges havia me convidado a lecionar um curso da História da Igreja, especialmente na Reforma, na sua Igreja Unida, na rua Helvétia, na cidade. Um casal que assistiu às aulas, Paulo Ferraz e Sra., comprometeu-se a doar uma grande importância. Mas condicionou a doação a uma boa safra de café nas suas fazendas. Veio a geada e morreram os pés de café. Fiquei muito triste por sua perda e ainda mais por causa da oferta para o JMC. Imagine minha surpresa quando ele, mesmo com o prejuízo, deu a quantia total que havia prometido. Três pessoas além de nós do Colégio se destacaram nas campanhas. Eram o Rev. Charles Roy Harper, então tesoureiro do Mackenzie, onde tivemos os jantares durante as campanhas; Lysias Oliveira e Vicente de Barros (parente do famoso governador de São Paulo, Adhemar de Barros).

Na publicidade para as campanhas contamos sempre com o entusiasta Prof. Fernando Buonaduce e com a Imprensa Metodista, onde ele também servia.

Quanto aos professores, Sr. Harper providenciou residências para eles nos terrenos do Jota. Assim moravam em casas do Colégio o Rev. João Euclydes Pereira e Da. Abigail, Rev. Renato Fiuza Teles e Da. Elza, Sr. Dario Bastos e Da. Enuncie, Rev. Jacó da Silva e Da. Zulmira, Rev. Buonaduce, Sr. Américo Fernandes (com outras chegadas e saídas do pessoal). A idéia do Harper foi de dar serviço de tempo integral a todos os professores, tendo-os morando no campuse sempre disponíveis para os alunos. Com as dificuldades financeiras, o Colégio não podia pagar-lhes o suficiente, e eles arranjaram empregos fora do Conceição… lecionando e servindo as Igrejas. Isso limitava o tempo deles com os alunos e tornava difícil conciliar os horários das suas aulas com seus outros empregos. Eu e alguns poucos professores ficamos quase inteiramente com aulas à tarde, quando os alunos estavam menos dispostos a estudar e assistir aulas.

No príncipio do JMC, eram poucos alunos e mais professores por aluno. A ênfase foi em dar boas aulas e aumentar os dons intelectuais e espirituais. Depois com o maior número de alunos e aumento de tarefas administrativas o Jota, uma família, tornou-se UMA INSTITUIÇÃO. Não tendo, naqueles tempos, luz, água e estradas de rodagem boas, ficamos com muito trabalho para manter uma usina de luz elétrica, primeiramente à gasolina e mais tarde tocada a óleo diesel (war surplus material). Foi necessário dispor do Ford van, pois ir a São Paulo, fazer compras, ir aos bancos, recolher professores e, às vezes, alunos em São Paulo tomava tempo excessivo e não servia a todos igualmente. O prof. Buonaduce comprou a “perua” Ford. Eu o ensinei a guiar. Precisávamos economizar em número de pessoas não-professores que empregávamos e assim dispensamos os serviços do Sr. Américo. O aluno Benon Wanderley Pais que possuía carta de motorista profissional tomava conta do caminhão do Colégio e também da usina de eletricidade a diesel. A energia elétrica produzida com as máquinas do Jota ficaram muito sobrecarregadas com a ligação de algumas casas na vila e o uso proibido de ferros elétricos e outras máquinas caseiras, todas necessárias em casas modernas.

Foi justo abrir uma estrada na área da figueira deixando a Companhia Light colocar os postes e trazer a energia elétrica até a vila de Jandira e ao Colégio. Diminuiu assim a responsabilidade do Colégio neste sentido.

Um dos resultados da campanha anual foi o poço artesiano que forneceu água aos prédios e casas do Colégio. Foi uma bênção para a administração do Jota ficar mais aliviada com a luta com problemas de luz e água.

O alvo de toda a obra missionária era de estabelecer igrejas e instituições que ficariam capazes de se manterem  sem subvenções da Igreja-mãe e que teriam os seus diretores e pastores nacionais. Isto eu pude realizar em Goiás e procurei fazer no JMC. Pelo fato de que a esposa não gozava de boa saúde, fui obrigado a ver que eu não ficaria como pastor em Goiás até ser jubilado, nem como diretor do Jota a vida toda. Confiei plenamente na capacidade dos irmãos e colegas brasileiros de fazer igual ou melhor na liderança do trabalho iniciado pelos missionários. Assim, o Rev. Wilson Castro Ferreira foi escolhido o primeiro diretor nacional para o Instituto José Manuel da Conceição. Boa escolha, pena que ele achou impossível ficar por longos anos na direção.

Em dezembro de 1951, chegando ao fim do ano escolar, na formatura, lembro-me daquela classe do curso clássico. Alguns nomes: João Wilson Faustini, que admiravelmente dirigiu o coro do Jota na ausência de Da. Evelina Harper, Célia Morais, Crisogno Coelho, Carlos Araújo. Uma turma excelente.

O Rev. João Euclydes Pereira foi escolhido como diretor interino durante o ano de 1952, quando nossa família foi em “furlough” e estudos para os Estados Unidos. Passamos a maior parte do ano estudando em Oberlin, Ohio, na Graduate School of Theology. Irene estudou no Conservatory of Music. Nasceu a caçula, Evangeline Alderton Lodwick. Mary sofreu duas operações por causa da infecção nos rins. Foi um ano difícil, pois os problemas de saúde de Irene levaram-na a tratamento em hospitais. Voltamos ao Colégio em fevereiro de 1953. Havia pouca diferença no andamento do Jota. O Rev. João foi ótimo diretor e poderia ter ficado na liderança, se ele assim o desejasse. As finanças do Colégio indicavam que seria melhor manter uma ligação mais direta nos Estados Unidos por meio de um diretor missionário. Assim fiquei, mas precariamente, devido à necessidade de levar Irene aos EUA para ser internada num hospital especializado em doenças mentais. Lutei com o cuidado dos cinco filhos, mas tendo auxílio amável de pessoas do Colégio, tais como Da. Geni Nogueira, esposa de Pedro Alves; a família Shimizu; Da. Hope Gordon e outros. Por fim, eu tive de regressar aos EUA passando três anos em Oxford, Ohio, sendo “campus pastor” da United Christian Fellowship. O Rev. Wilson Castro Ferreira dirigia o Colégio, e Olson e Jean Pemberton trabalhavam como missionários cedidos ao Jota.

De 1959 em Diante

O Rev. Wilson me convidou para substituí-lo na direção em 1959 quando ele fez estágio em Nova Iorque, estudando drama. Com prazer, retornei a Jandira e fiquei mais um ano e meio no Jota. Quando o Rev. Wilson retornou dos EUA, servi como deão. O casal Pemberton estava em “furlough” de um ano naquele período.

Voltando os Pembertons, dirigi o Instituto Samuel Graham até que fui chamado para o escritório da Missão em São Paulo, em janeiro de 1961. Atuando como secretário executivo da Missão por nove anos, fiquei sempre a par do que acontecia no Jota, vendo a diminuição das matrículas de candidatos ao ministério de jovens maduros (adultos no comportamento) e aumento de alunos quase crianças que precisavam de disciplina em tudo.

Assim foi passando o Jota de outrora e o final do fechamento. Depois fui aos Estados Unidos, onde foi necessária minha presença, já que Irene não mais precisava ficar internada em tratamento de saúde, tendo em vista a administração de novos remédios tranqüilizantes.

O JMC sempre procurava incluir alunos de todas as denominações. Havia cooperação com a Igreja Episcopal. Durante meu tempo no Jota, houve um aluno, Sumio Takatsu, que mais tarde se tornou bispo da Igreja Episcopal.

O Rev. Sherrill, missionário, visitava o Colégio para dar instrução a um grupo de candidatos ao ministério na Igreja Episcopal: Takashi Shimizu, Alfredo Rocha e Sidney Ruiz (também mais tarde bispo).

Além dos cultos diários, funcionava nos prédios do Colégio a Igreja Presbiteriana de Jandira. Ministros e leigos da Igreja Presbiteriana dirigiam os trabalhos de culto e da escola dominical. O Sr. Hermenegildo, da Vila de Jandira, é sempre lembrado por causa de suas prédicas e pela maneira de fala muito lenta e de certa hesitação e ênfase. Um pastor que vinha aos domingos à noite era o Rev. Jorge César Mota, muito inteligente e muito autoritário na direção dos cultos. Por causa de distúrbios entre certos alunos no culto, ele tomava para si o dever de confrontar estes alunos, incluindo uns da família Dourado, da Bahia. Quase que o reverendo foi agredido por eles! A minha opção expressa ao Rev. Mota era de que eu, como diretor do Jota, e nosso deão tínhamos a responsabilidade de zelar pelo comportamento dos alunos sob nossa direção e não o pastor da Igreja que vinha somente aos domingos à noite. O Rev. Mota não concordava comigo! Em poucos anos, a Igreja local construiu o seu templo resolvendo um dos problemas.

Por ser durante muitos anos considerado um “seminário menor”, os nossos diplomas valiam nas outras escolas, colégio e universidades. Mas houve um período quando os poderes públicos ameaçaram tirar esse privilégio. Foi necessário fazer esforços para colocar tudo em ordem como documentos e construções para cumprir com as exigências do governo. Assim fizemos uma área coberta atrás do prédio Harper. Tivemos instalações sanitárias e chuveiros com água esquentada em aparelho elétrico. Em pouco tempo, a classificação de seminário menor permaneceu e paramos os trabalhos de oficializar o Jota pelas leis de outros colégios. A área coberta foi fechada com paredes e se tornou a casa de residência do Prof. João Faustini e Da. Queila.

Apesar de eu nunca ter jogado futebol, apreciava muito o entusiasmo e habilidade dos jogadores do Jota. Por algum tempo, o time ficou invicto. Assistia aos jogos torcendo pelo Jota. Lembro-me de alguns bons jogadores: Heber Ferrer, Armando Gonçalves e o irmão Flávio, Apiscá, Eládio e Wilson, de Mato Grosso.

Durante minha ausência de três anos (1956-59) foi construído o auditório Waddel. Um prédio grande, mas somente parcialmente terminado. Havia um distinto eco que tornava difícil entender o que se falava no palco. Servia muito bem para os concertos do coral do Jota. Por fora, achei a construção muito feia. O arquiteto foi o Dr. Lavitola, do Mackenzie. No meu tempo no Jota, o prédio nunca foi acabado, nem por fora e nem por dentro. Fiquei com saudades do salão de cultos na velha instalação.

Novas personalidades chegaram e ajudaram muito o Colégio…

“O tempo passa”… Da. Isva está na secretaria do Colégio… casa-se com o brilhante aluno Josué Xavier. Hope Gordon casa-se com o aluno João Silva… Isaias Gadoni, aluno, casa-se com enfermeira Myrte… Daily Resende França casa-se com Rute Moura; Sinval Cabral de Souza com Celina Fukuda.

Mas tempo passa, e o Rev. João Euclydes Pereira e o Rev. Daily França falecem em acidente de automóvel perto de Brasília… Também o Rev. Armando Gonçalves, ex-aluno e ex-diretor, morre em acidente de carro. Notícias boas e tristes recebemos de amigos do JMC. Rev. Olson Pemberton assume a direção do Instituto Bíblico Eduardo Lane, em Patrocínio (MG). Pena que ele nunca quis aceitar a direção do JMC.

Há muita história bem documentada pelo Rev. Dr. Waldyr Carvalho Luz, em seu livro Nem General, nem Fazendeiro: Ministro do Evangelho, publicado em Campinas, em 1994, pela editora Luz do Caminho.

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Eduardo CHAVES
ec@jmc.org.br

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088) MENSAGEM 088

De: Getúlio Rosa da Guia

Data: 20180714

Assunto: Re: [Manuelinos]  Lembranças do JMC pelo Rev. Robert E. Lodwick

Apreciei muito a leitura. Muito grato.

Getúlio.

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